Cléa Sá

HÉLIO OITICICA

Finalmente entra em circuito comercial o excelente e premiado filme documentário sobre Hélio Oiticica, artista plástico, pintor, escultor, escritor, performático, jovem representante da arte contemporânea do século XX, um quase desconhecido do público atual.

O post já estava pronto quando fui assistir ao filme. Dirigido por Cesar Oiticica Filho, sobrinho do artista, é o único filme brasileiro que recebeu o Prêmio Caligari de Inovação Artística conferido no Festival de Berlin em 2013. A obra foi apresentada em cerca de 20 festivais nacionais e internacionais quando recebeu mais dois prêmios. É excelente!


Paralelamente, grandes jornais do país dedicaram páginas sobre a arte de Oiticica. Não vou citá-los aqui (confiram em REFERÊNCIAS), pois pretendo conversar sobre como a educação e a vida do jovem artista influenciaram sua obra.

Hélio Oiticica nasceu no Rio de Janeiro em 26 de julho de 1937. Primeiro filho de José Oiticica Filho, engenheiro, professor, matemático e importante fotógrafo brasileiro e de Ângela Santos Oiticica. Teve dois irmãos, Claudio e Cesar. Era neto de José Oiticica, conhecido filólogo, editor e anarquista convicto.
Hélio e seus irmãos tiveram uma educação diferenciada, domiciliar e informal. Não frequentavam a escola, eram educados por seus pais e avô. No entanto eram conhecidos em bibliotecas, museus e teatros e galerias de arte.

Em 1947 a família acompanhou o pai que recebera uma Bolsa da Fundação Guggenhein, em Washington–EUA. Os jovens entraram pela primeira vez em uma sala de aula e puderam conhecer importantes museus de arte, ciências e tecnologia. Os pais continuaram com sua educação domiciliar. Aos 12 anos Hélio era leitor de Nietzsche que discutia com segurança.

De volta ao Brasil em 1954, Hélio frequentou o curso de Ivan Serpa no MAM- Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro. Logo se destacou e aos 18 anos criou o seu primeiro texto artístico-filosófico e a obra intitulada “Flutuantes”.

O talento do jovem criador chamou a atenção de atuantes artistas da época. Foi convidado por Lygia Clark e Ferreira Gullar para participar do Manifesto Neoconcreto de 1959, documento que ele assinou entusiasmado junto com Ligia Pape, Amilcar de Castro, Reynaldo Jardim e Franz Weissman. Na mesma ocasião participou da Noite de Arte Concreta na União Nacional de Estudantes/UNE/RJ.

Participou da V Bienal de São Paulo sendo um dos mais notáveis jovens artistas.
Em 1960 a 1963 lançou os “Bólides-caixas” e os “Penetráveis”, respectivamente. Nas obras o artista explorava o uso dos sentidos tato, olfato e paladar dos espectadores. Nos “Penetráveis” o participante (espectador) deveria entrar na obra, circulando por entre as placas de madeira pintadas em cores vivas.

Em 1964 Hélio conheceu o outro lado da cidade, o Morro da Mangueira. Curioso com a confecção dos carros alegóricos se encantou com os barracos, com os panejamentos de roupas penduradas agitadas ao vento. Fonte de inspiração para os “Parangolés”, momento alto de sua obra, o artista classificou a produção como “arte por excelência”. Foi ainda o período em que se ligou a usuários de droga e mesmo marginais da região. Criou trabalhos contestadores, provocativos denunciando a atividade violenta da policia.

Os “Penetráveis” deram origem à “Tropicália”, apresentada na Europa e nos Estados Unidos. O Projeto consistia em placas pintadas em cores vivas, assentadas sobre o solo com areia e pedras, deixando espaço para que o público circulasse entre elas.
Residiu alguns anos em “Babilônia”, como chamava Nova York e em 1997 retornou ao Brasil. Conheceu importantes nomes da arte contemporânea internacional.

O Centro de Arte Hélio Oiticica, criado em 1997, no Rio de Janeiro, promoveu um circuito de suas obras que percorreram o Brasil com 11 exposições individuais e 28 coletivas e no exterior, com 9 individuais e 42 coletivas.

O Tate Modern, em Londres, instalou uma sala para o projeto “Tropicália”, assim como o museu de Fine Arts em Houston/EUA.

O museu Inhotim em Minas Gerais possui grande instalação de” Penetráveis”, do artista.

Hélio Oiticica faleceu em 22 de março de 1980, no Rio de Janeiro vítima de um AVC, aos 42 anos.

No entanto sua obra foi preservada pelo Projeto Hélio Oiticica (1981), instalado na casa de Cesar Oiticica, criado e dirigido pelos irmãos Cláudio e Cesar, com a finalidade de guardar, preservar e divulgar a obra do artista.

Em 2009 um incêndio na casa do Projeto destruiu grande parte da coleção de obras.
Ainda em recuperação do acervo do artista, é grande o esforço para salvar o legado artístico e cultural imensurável deixado por Hélio Oiticica em sua intensa e curta vida.

REFERÊNCIAS:
CORREIO BRAZILIENSE- Paula Bittar- LABIRINTO SENSORIAL-18/08/2014
-Francisco K- A INVENÇÃO EXORBITANTE DE HÉLIO OITICICA-23/08/2014
Helio Oiticica- DOCUMENTÁRIO –Cesar Oiticica Filho
ITAÚ Cultural- Hélio Oiticica.
UOL Educação- Hélio Oiticica
Projeto Hélio Oiticica.
Fotos: Internet.

Uma opinião para “HÉLIO OITICICA”

  1. Cléa Sá
    Cléa Sá
    25/08/2014 at 10:47 #

    Regina,
    parabéns pela matéria. Ótima! Dá vontade de ver mais. Obrigada!
    Cléa