Cléa Sá

Índios brasileiros

 

Abril é um mês pra lá de especial. É outono, o grande calor foi embora, a chuva vem de vez em quando, e os dias ficam mais frescos e suaves. É o mês das comemorações: descoberta do Brasil, aniversário de Brasília, Dia do Índio. Festa muita. E é sobre os índios, para homenageá-los, que apresento este post. Homenagem especial aos índios guaranis caiovás .

“O índio só pode sobreviver dentro de sua própria cultura”

Orlando Villas Bôas

O Brasil colonial não era igual a Portugal

A raiz do meu país era multirracial

Tinha índio, branco, amarelo, preto

Nascemos da mistura, então por que o preconceito?

Gabriel,  o pensador

Quando o português chegou

Debaixo de uma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

O português.”

Oswald de Andrade

Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da Jati não era doce como seu sorriso (…)”

Iracema, José de Alencar

Conforme dados da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) existem, atualmente, 460 mil índios residindo em aldeias no Brasil, correspondendo a 0,25% da população brasileira. São mais de 107 milhões de hectares (12% do território brasileiro) divididos em 656 diferentes áreas indígenas. No entanto, a população indígena no Brasil é maior, pois esses números não incluem os índios que residem em locais fora de aldeias, estima-se que esses somam cerca de 100 mil.

Atualmente, são mais de 225 etnias ou sociedades indígenas no Brasil, com 180 línguas e dialetos distintos. Esses grupos estão espalhados em praticamente todo o território nacional, sendo a região Norte a que possui o maior número de índios, em especial o estado do Amazonas – 17% do total. Algumas tribos (aproximadamente 55) são isoladas, não havendo muitas informações sobre elas.

A Fundação Nacional do Índio, (FUNAI) órgão responsável pela proteção e realização de pesquisas sobre essa população, divulgou as tribos com o maior número de integrantes, são elas:

Ticuna: 35.000
Guarani: 30.000
Caingangue: 25.000
Macuxi: 20.000
Terrena: 16.000
Guajajara: 14.000
Xavante: 12.000
Ianomâmi: 12.000
Paxató: 9.700
Potiguara: 7.700

Desde 1987, equipes da Funai realizam frentes de contato com populações indígenas isoladas nos estados do Acre, Amazonas,Rondônia, Pará, Mato Grosso e Goiás. Em 2009, estimava-se que havia no Brasil 55 grupos indígenas sem contato algum com a dita civilização (!!!)  Os últimos grupos identificados foram os cano e akuntusu em Rondônia e os corubos, no Amazonas.

Primeira Missa – Pintura Vítor Meireles -1860

“E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.

Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram”.

Pero Vaz de Caminha, Ilha de Vera Cruz 1º de maio de 1500

No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.

Y-Juca Pirama, Gonçalves Dias

Finalizando, as palavras de um guarani caiová, em excelente matéria de Eliane Brum, da qual reproduzo o trecho:

“Perguntei ainda ao guarani caiová Tonico Benites, nome indígena ‘Ava Vera Arandu’, o que significa ‘ser guarani caiová’. Aos 40 anos, ele é doutorando em antropologia no Museu Nacional (UFRJ) e porta-voz da “Assembleia Geral Aty Guasu Guarani e Kaiowa. Vive em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Tonico Benites/Ava Vera Arandu respondeu: ‘Ser guarani caiová significa pertencer a determinadas terras específicas e sobretudo ser interlocutor dos guardiões dos recursos naturais, mantendo uma relação de respeito mútuo. Significa ser lutador/guerreiro irrenunciável pelo pedaço de terra antiga em que estão enterrados seus antepassados. E, se for preciso, se sacrificar e morrer com honra pelas terras de seus ancestrais. Ser guarani caiová significa ser um ser insistente que luta pela realização dos sonhos coletivos. Ser guarani caiová significa ser crente e profeta que luta e reza hoje para que o futuro da nova geração seja melhor. Ser guarani caiová significa criar alegria, sorrir muito e se ouvir atentamente. Ser guarani caiová significa se aconselhar de forma repetitiva para não reagir com violência às violências’.” Eliane Brum

 

 

Fonte: Internet

Livros diversos

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