Cléa Sá

Bumba Meu Boi

É chegar o mês de junho e com ele chegam as saudades das festas da minha terra. É mês de fazer fogueira nas portas das casas, de comer milho verde assado, comer pamonha, e sobretudo, é tempo de boi. No Maranhão, o Bumba meu boi é a festa mais bonita do ano e a mais esperada.
Criança, nosso coração se apertava ao ouvir o barulho das matracas e dos maracás. O boi está vindo, o boi está perto, o boi está chegando. O coração batia, a ansiedade nos dominava à espera do boi que vinha dançar em nossa casa.
E ele chegava enfim. O boi dançava, volteava, voava, tocado por um vaqueiro. Índios e caboclos de fitas coloridas faziam seus passos ritmados e entoavam cantos melodiosos, o Amo puxava os versos. Catirina, grávida, barriga grande, quer por que quer a língua do boi. Que faz pai Francisco? Rouba o boi. E aí, durante todo o mês de junho, pai Francisco é procurado para ser preso que o boi tem de ser trazido de volta. Mas chega um dia, já no final dos festejos, que é um dia trágico: o da morte do boi. Para nós, crianças, era muito real e muito triste.

 

Fotos tiradas  durante uma apresentação de bois de vários sotaques em apresentação em Brasília, há alguns anos.

 

 

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