Alfredo Cunha: fotografando como um puto

Alfredo Cunha é um dos maiores fotojornalistas portugueses em atividade. Desde o início dos anos 1970 ele vem clicando as cidades, a descolonização, a revolução de 25 de abril, as crises econômicas, os conflitos armados e as crianças, principalmente as crianças, chamadas carinhosamente em Portugal de putos. “O meu pai dizia que eu fotografava como um puto e, em alguns aspectos, talvez seja uma abordagem quase infantil. Nunca fotografo crianças como um adulto, de cima para baixo, ponho-me ao nível delas.” Boa parte desse trabalhado pode ser conferido no livro Cuidado com as Crianças (Editora Dom Quixote) de 2003.


Além da revolução de abril, Cunha também fotografou o fim da colonização na África em 1975, a queda de Nicolae Ceauşescu na Romênia em 1989 e a invasão dos Estados Unidos no Iraque em 2003. Foi, ainda, o fotógrafo oficial dos presidentes portugueses António Ramalho Eanes, entre 1976 e 1978, e Mário Soares entre 1985 e 1996. Mais do que simplesmente uma preocupação estética, suas imagens trazem sempre uma história da vida real, seja ela cotidiana, “oficial” ou de exceção.


Ex-editor de fotografia dos jornais Público, O Comércio e Jornal de Notícias, e atualmente no Diário de Notícias, lançou ano passado o livro A Cortina dos Dias (Porto Editora) com dezenas de fotos tiradas entre 1979 e 2012 (veja mais em http://bit.ly/1z3jntM). Esse ano, no aniversário da revolução que acabou com o regime ditatorial e o sistema colonialista, o jornal publicou uma nova série de imagens traçando paralelos entre as fotos de décadas atrás e as imagens mais atuais de Cunha (veja mais em http://bit.ly/1q2jS5N). Sempre em branco e preto, com enquadramentos precisos e um cuidado extremo com a exposição. O trabalho serve também para ver o quanto o país mudou, ou não mudou.

Seu site oficial é o http://alfredocunha.no.sapo.pt/

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