Cléa Sá

Miss Marple

“Livros não são coisas absolutamente mortas; contêm uma espécie de vida em potência tão prolífica quanto a da alma que os engendrou. E mais: eles preservam, como num frasco, o mais puro e eficaz extrato do intelecto que os produziu. Estou convencido de que eles são tão vivos e tão vigorosamente fecundos quanto aqueles dentes de dragão de fábula. E que, uma vez semeados aqui e ali, podem dar nascimento a homens armados. E, por outro lado, vale refletir que matar homem pode ser até melhor que matar um bom livro. Quem mata um homem mata uma criatura racional, feita à imagem de Deus, mas aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus como no olho. Muitos homens não passam de um fardo sobre a Terra. Mas um bom livro é o precioso sangue do espírito superior, conservado e guardado com vistas a uma vida para além da vida”.

Este começo é muito bom. Não tenho coragem de concordar que “matar um homem é melhor que matar um livro”. No mais, sim.

Isso é para dizer que a partir de hoje e uma vez por semana, inicio um novo quadro neste blog. “Vamos ler?” Nele falarei de livros, de autores e de personagens. É um assunto do qual gosto muito e que terei prazer de compartilhar com os que gentilmente acessam este espaço. Não há melhor amigo que um livro. Com eles temos bons momentos: aprendemos, esquecemos tristezas, nos consolamos de nossas mágoas e entramos em mundos que jamais conheceríamos de outro modo. Com um bom livro nunca sofremos de solidão, nem de tédio. Espero que vocês gostem dessa nova seção. E vamos ao começo.

 

Miss Marple é uma simpática velhinha inglesa que mora em uma pequena aldeia da Inglaterra, St. Mary Mead. Como ela tem pouca fé no gênero humano e o acha capaz de tudo e pela sua experiência de vida (tem mais de setenta anos), ela é capaz de solucionar os mais intrincados casos, inclusive de assassinatos. Sempre se lembra de alguma semelhança com alguém que conheceu na sua pequena aldeia. Ela é uma das personagens criadas por Agatha Christie e está presente em vários livros: Um crime adormecido, Nêmeses, Um corpo na biblioteca, Mistério no Caribe, Assassinato na casa do Pastor.  É uma leitura leve. Bom para começar a gostar de “policiais”, um gênero ainda muito injustiçado. São livros fáceis de encontrar em qualquer livraria. Tem também em edições de bolso. Até a próxima, semana que vem.

Sem comentários ainda.