Cléa Sá

Knut Hamsum

É possível gostar de um nazista? Não se assombrem comigo, mas tem um que eu gosto. Não como nazista, claro, mas como escritor. Trata-se de Knut Hamsum (1859-1952), autor norueguês. Quando o li pela primeira vez, creio que no início dos anos sessenta, gostei muito. Na verdade me apaixonei. O livro era “Pan”, uma história que nos passava um estranho sentimento de dor, desencanto e incerteza. Depois li “Fome”, de um realismo forte e exarcebado, e mais tarde “Os frutos da terra”, livro pelo qual foi indicado e vencedor do Prêmio Nobel. Dele, li ainda Vitória, que não achei tão bom. Hoje seus livros não mais são encontrados. Não é mais publicado. Por que é antigo? Por que era nazista? Não sei.  Só soube de suas simpatias políticas muito mais tarde. Talvez tenha sido bom assim, senão não o teria lido e não teria conhecido tão bom autor. Knut Hamsum nunca se filiou ao Partido Nazista Norueguês, mas escreveu vários artigos pró-fascistas.  Depois da guerra, ele foi preso e seus livros queimados em praça pública pelos noruegueses. Tudo muito triste. Se, apesar disso, você ainda pretender conhecê-lo, creio que só se acha livro deleem sebo. Talvezo mais fácil de achar seja “Fome”, que foi publicado naquela coleção de autores premiados com o Nobel, pela Editora Delta, editora que nem sei se ainda existe.

Postado em 29/11/08

PS. Levei anos sem querer ler Jorge Luis Borges porque me disseram que ele apoiava a ditadura militar argentina. Mesmo discordando, um dia resolvi experimentar. E nunca mais parei. Portanto, em literatura, nada de preconceito, é o meu lema atual.

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