Cléa Sá

As irmãs Brontë

A casa fica em uma região inóspita varrida por ventos fortes e rodeada por charnecas. As crianças, seis, vivem com o pai, pastor anglicano, e com uma tia severa. A mãe morreu cedo. Duas irmãs também morrem muito cedo. Ficam três meninas, Charlotte, Emily e Anne e um menino, John.  Ele pretende ser pintor e é a grande esperança da família. As moças precisam trabalhar, são pobres, e só podem pensar em se tornar professoras ou governantas. É a Inglaterra da Era Vitoriana. O lugar Harsthead, Yokshire. Eles, os Brontë. John não se realizou como pintor. Frustrado voltou-se para a bebida. As irmãs tornaram-se grandes escritoras. Como se pode explicar tanta genialidade em uma só família? Talvez as tristezas, a solidão, as perdas seguidas levaram as jovens irmãs a encontrar na criação literária a saída para uma vida pacata, modesta e sem grandes acontecimentos. Mas isso por si só não explica tudo. Quantas outras moças da época também foram tristes, orfãs, sozinhas e viveram isoladas e nem por isso se tornaram grandes escritoras? É difícil saber o que causa o gênio.   O fato é que as irmãs Brontë se tornaram grandes escritoras Talvez só a imaginação e a fantasia as consolassem.  Anne Bronte, a mais nova (1820-1849), escreveu “Agnew Grey”, que não li e nem sei se foi traduzido para o Português.  Emily (1818-1848) escreveu “O morro dos ventos uivantes”, considerado um clássico da literatura inglesa, é uma história de amor amaldiçoado, de vingança, e visto como a mais intensa história de amor já escrita em língua inglesa.  Charlotte (1816-1855) escreveu “Jane Eyre”, livro que teve sucesso imediato, e retrata a emancipação da mulher mostrando-a apta para o trabalho e capaz, não precisando do casamento para afirmar-se como era o habitual na época.

É claro que o cinema não poderia deixar passar histórias tão belas. O Morro dos Ventos Uivantes já foi adaptado mais de vinte vezes para o cinema, rádio e TV. A versão de William Wyler, de 1939, estrelada por Merle Oberon como Cathy e Laurence Olivier como Heathcliff, é considerado um dos grandes clássicos do cinema até os dias de hoje. Há uma versão mais recente de 1992 estrelada por Juliette Binoche e Ralph Fiennes. Eu prefiro a mais antiga. O romance Jane Eyre também já foi filmado muitas vezes. Só eu conheço três versões: a de 1944, dirigida por Robert Stevenson,  e que tem Orson Welles e Joan Fontaine nos papéis de Mr. Rochester e Jane Eyre; uma outra versão de 1970, inglesa, com Susanah York, e a última que vi é do Franco Zeffirelli, com William Hurt e Charlotte Gainsbourg nos papéis principais. Também gosto mais da primeira versão. Não sei por que, gosto sempre mais das versões mais antigas. E isso não é de agora, não é da idade. Sempre gostei. Mas voltemos às Irmãs Brontë e a seus livros famosos e aos filmes a que deram origem: vale a pena ler “Jane Eyre” e “O morro dos ventos uivantes”. Não são livros difíceis de encontrar. Os filmes também não. O difícil é encontrar tanto escritor bom em uma só família. Voltaremos com mais. Até!

 

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