Cléa Sá

As confissões de Nat Turner

Desde a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, tenho vontade de falar de livros sobre a questão racial naquele país. Li alguns muito bons que abriram meus olhos para a aquela triste realidade. Conhecendo-a vemos que grande passo, que gigantesco passo, foi essa vitória de um negro para tão alto cargo. Nem sei quantos livros li sobre o assunto. Dois, porém, me calaram tão profundamente que quero recomendar a vocês, nesta volta à seção “Vamos ler?”

O primeiro deles é o “O sol é para todos”, de uma autora sulista Harper Lee. Ele foi reeditado agora, portando é fácil encontrá-lo. É um romance delicado e comovente, que trata de uma acusação de estupro de uma moça branca por um negro e do esforço de um advogado para defendê-lo. Este livro foi levado ao cinema há muito tempo e deu um belo filme. O grande ator Gregory Peck faz o advogado. Não falo mais para não tirar a surpresa de quem resolver ler.

O outro é “As confissões de Nat Turner”, de William Styron. Difícil encontrar romance tão bom quanto esse, cuja ação se passa ainda na época da escravidão. Não lembro se ele teve sucesso, se ficou muito conhecido. Esse autor teve outro livro muito divulgado, adaptado para o cinema: “A escolha de Sofia”. Voltando às “Confissões de Nat Turner” sugiro a sua leitura. É impressionante. Creio que não tem edições recentes, mas vale ser garimpado em algum sebo. E até a próxima.

 

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