Cléa Sá

Alexandre Dumas e Alexandre Dumas Filho

Outro dia postei aqui um poema do Antonio Cícero. Marcello, um sobrinho muito querido, em comentário, lembrou que ele era irmão e parceiro da Marina Silva e sugeriu que eu fizesse algumas matérias sobre artistas da mesma família. Achei a idéia muito boa e fiquei pensando em como fazer para pô-laem prática. Pensei, pensei e resolvi começar aqui nessa seção do Vamos ler? com os escritores Alexandre Dumas e Alexandre Dumas Filho. Vamos começar pelo pai, Alexandre Dumas (1802-1870) e por uma historinha de família. Um irmão meu foi a Paris e lá surpreendeu o guia da excursão falando coisas específicas de muitos lugares por onde passavam. Da surpresa o guia passou à pergunta: – você já tinha vindo à Paris? – Não, respondeu meu irmão, é que li muitos livros de “capa e espada”. Pois é, esse nome foi atribuído aos livros em que as aventuras corriam céleres, com muitos amores, mistérios duelos e que, com Dumas, atingiram o ápice. Qual de nós, na juventude, com amigos bem próximos, não disse a frase “Um por todos, todos por um”? Muitos de nós e quase sempre sem saber que a origem da frase era o romance “Os Três Mosqueteiros”, onde a frase é dita e repetida pelos três mosqueteiros Porthos, Athos e Aramis e o aspirante a mosqueteiro, o jovem fidalgo D’Artagnan. De onde concluímos que os três mosqueteiros, na verdade, eram quatro.  O livro originalmente escrito no formato de folhetim, publicado uma vez por semana em jornal, é um clássico. Nele encontramos tudo o que faz o gênero capa e espada, narrado brilhantemente em uma trama que envolve o rei Luís XIII e o Cardeal Richelieu em disputa pelo poder. Vale a pena ser lido em sua edição integral. Nada de versão resumida, adaptada, etc. De Alexandre Dumas também é o magistral romance “O Conde de Monte Cristo”, com traição, aventura e vingança, que também, se vocês puderem, devem ler. O cinema tem aproveitado bem esses livros. São várias as versões de “Os três Mosqueteiros” e do “Conde de Monte Cristo”. Lembram do filme “Quem quer ser um milionário” quando o herói da história, Jamal, esquece o nome de um dos mosqueteiros? Era Aramis, o mosqueteiro do qual ele custa a lembrar. Dumas também foi dramaturgo com muito sucesso em sua época. Mas o que ficou mesmo para nós são os seus romances.

Alexandre Dumas Filho (1824-1825) dramaturgo como o pai, foi um dos mais importantes autores do gênero no Segundo Império. Sua peça A Dama das Camélias, a história de uma cortesã, foi baseada em um caso de amor do próprio autor. Nela foi inspirada a ópera A Traviata, de Verdi. O cinema ama a Dama das Camélias. Sei de três versões. A primeira ainda na época do cinema mudo (1922), depois uma com Greta Garbo (1936) e a outra, em 1981, com Isabelle Hupert. Só assisti à versão da Greta Garbo, por sinal, maravilhosa. Mas voltemos ao livro. A Dama das Camélias é um livro típico do romantismo, mas comovente e muito bem escrito. Não sei de edições recentes, mas sempre se pode achá-lo em um bom sebo. Embora ambos sejam da fase do Romantismo, os Dumas Pai e Filho são bem diferentes. Mas todos dois muito bons escritores. Eu prefiro o pai, mas gosto é gosto. Até a próxima!

 

Fontes: Enciclopédia  Larousse, Google.

 

 

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