Cléa Sá

Se eu morresse amanhã

 

Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria,

Se eu morresse amanhã!

 

Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que manhã!

Eu perdera chorando essas coroas,

Se eu morresse amanhã!

 

Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva

Acorda a natureza mais louça!

Não me batera tanto amor no peito,

Se eu morresse amanhã!

 

Mas essa dor da vida que devora

A ânsia de glória, o dolorido afã…

A dor no peito emudecera ao menos

Se eu morresse amanhã!

 

 

Sobre o autor

Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831-1852) foi um dos grandes poetas do Romantismo brasileiro. Nascido em São Paulo,  morreu com menos de vinte anos.

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