Cléa Sá

Que pena*

 

É uma pena morrer justo agora

que me sinto tão bem.

Os dias estão claros, translúcidos mesmo,

e  a grama que recobre as encostas e os passeios está verde como nunca.

As chuvas já se foram e nos deixaram esse verde presente.

Não irei sem lamento.

Sinto que o cão, o pobre cão, nada entenderá.

Vocês terão de ajudá-lo.

E também é preciso que cuidem do meu pé de antúrio,

o da flor tardia e miraculosa. Sei que o farão.

Mas tu,  tu, com quem conversarás?

 

*Inspirado em poema homônimo de György Petri (1943 -2000)

 

 

BSB, 23/5/2013

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