Cléa Sá

Poema

Vinde! Em redor da minha casa canta um riacho alegre
como a primavera. Vereis talvez gaivotas, se o vento se levantar.

Como jamais recebo visitas, não mando varrer as aléias
do meu jardim. Pisareis num tapete de folhas.

Tereis de desculpar-me pelo modesto almoço que vos
ofereço, porque o mercado é muito longe. Acreditai que
me esforçarei por dizer-vos coisas agradáveis, para compensar
a rusticidade da minha mesa.

Hesitais? Temeis importunar-me? De qualquer modo,
beberemos juntos, e brindaremos com o tinir dos copos
por cima da cerca.

O regato bifurca-se e seus dois braços formam um anel
em redor da aldeia. Minha casa, situada na bifurcação
do regato, é o castão desse anel de prata. Nela reina a
felicidade. As andorinhas constroem os ninhos entre as
vigas da minha varanda. Pousam libélulas nos meus íris.

Contemplo os pomares por onde flutua uma bruma
azul. Minha bela esposa faz um desenho quadriculado
num pedaço de pano. Meu filho entorta uma agulha
para fazer um anzol.

Minha saúde não é formidável; e só tenho necessidade
de medicamentos.

Tu Fu

Tradução: Cecília Meireles

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Sobre o autor:
Poeta chinês do século oitavo da nossa era, considerado um maiores poetas chineses.

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