Cléa Sá

Na Estação Central

Edwin Morgan

Tradução de Virna Teixeira

 

Na Estação Central, no meio do dia

uma mulher está mijando na calçada.

Com as costas para a parede e as pernas afastadas

ela  inclina-se, o cabelo caindo sobre o rosto,

a saia sombria e o casaco nem sequer levantado.

Sua urina bate na pedra com força

e corre em direção à sarjeta.

Ela não é velha , nem jovem,

não é suja, tampouco limpa,

nem em trapos, mas naquele caminho.

Ela está no centro da cidade, o fantasma no banquete.

Executivos saindo do trem de Londres

assustam-se incrédulos mas pulam o rio

e mansamente juntam-se à fila do táxi.

A gente de Glasgow passa apressada,

mal olha, ou se atreve a olhar,

ou olha severamente, atrevida, como

o olhar do poeta, não duro como o aço

mas severo, rápido, diminuindo o passo

um pouco, registrador maldito, seus sentimentos

tão confusos como as folhas de novembro.

Ela é uma estátua em um redemoinho,

surrada por nada que ele possa dizer em palavras,

sangrando nas ondas de conversa

e transita fluidos terríveis de necessidade.

Somente dois homens francamente param,

com um sorriso largo, jogam-lhe um insulto

enquanto cruzam a rua para apostar no jogo.

Sem eles a indignidade,

a dignidade, seria incompleta.

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Edwin Morgan nasceu em 1920, em Glasgow, na Escócia.Foi eleito o primeiro poeta laureado da Escócia.

 

 

 

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