Cléa Sá

Labirinto

Maria Luiza Pires Mendonça

Este ser todo amor
que não sou eu,
está aqui o lado meu:
quer saber o quanto valho.
Quer saber do meu valor.
Quer saber do tono, o grado
tenaz em que estou.
Quer saber dos planos meus.
Se conheço algum atalho
Que encurte meus passos.
Se conheço as leis de Deus.
Se evito os embaraços
que a ilusão me traz
quando estou descuidado!
Nada digo, nada falo
nada peço, nada faço.
Sem saber, vou sem destino
qual menino, assim descalço,
pelo impacto do não ser…
Pela brisa, ela rua, pelo ar.
Busco sempre renascer!
Procuro e não encontro
este ser que eu não sou.
E o outro, seguro em desacerto
quer sempre saber de mim:
ironiza, complica, satiriza
esta busca sem sentido
cansativa, exaustiva, sem fim!
Mas, não me recrimino.
Do caminho não me afasto.
Vou e volto em descompasso.
Busco a trilha mais segura,
sinto ter estado às tontas…
Pois este ser que não encontro
está bem dentro de mim.
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Maria Luiza Pinto Mendonça, poeta goiana.

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