Cléa Sá

Dois poemas

Josenita M. de Britto Lyra

 

Passar a limpo a escrita

corrigindo rasuras

Passar a ferro o vestido

desfazendo os vincos

 

Passar tinta nos cabelos

desmanchando o tempo.

Esticar os lençois

deixando-os sem dobras

Esticar a pele

aparando as sobras.

 

Costurando a vida

Dobrando o tempo

Voltando a pé

Descobrindo a fé

Espiando a morte

Parindo a sorte

De ser apenas

uma mulher.

 

1997

 

 

 

Estendido no chão

o tapete

Estendidas no varal

as roupas

Estendida no caixão

a morta

Distendido no rosto

o pranto

Confundido no olhar

o espanto

Retidas no peito

as lembranças

Espalhadas, aleatórias

Retorcidas como folhas

secas

Grávidas de

Sementes

 

2002

 

 

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