Cléa Sá

Desejo

Um dia, eu me dano.

Deixo tudo de lado e vou pra bem longe,

subir numa montanha coberta de gelo.

 

Chega de calor e de olhar diariamente as mesmas caras.

Quero ver gente loura, fria, nada tropical.

Quero ouvir uma língua desconhecida que não saiba traduzir.

Escaparei, assim, da tortura das respostas.

Por que falar se a palavra

não traduz nunca o verdadeiro sentimento?

Ai, quem me dera um silêncio absoluto,

um silêncio total, apenas claro.

 

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