Julita

Amor

Será o amor esta coisa inaugural,

sensação epidérmica, translúcida, frugal,

somos só um e não dois?

 

Ah! coitados de nós.

Títeres ou mamulengos

em suas mãos.

 

O amor como o cristal,

bruto, fosco,

lapidado, lâmina brilhante,

tal qual punhal

crava à flor da pele

algo de espanto

solidão.

Como ponto final

revela o sim e o não.

 

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Se

já nos ferimos tanto

como agora

retocar palavras mal ditas

desdizer

esquecer

não sofrer?

 

Como

se as lembranças implodem

o sorriso escorre

o beijo se extravia?

 

As mãos vazias

se recolhem

se perde o gesto

se perde o resto

o entardecer.

 

Josenita M. de Britto Lyra Costa

Uma opinião para “Amor”

  1. Cléa Sá
    Cléa Sá
    11/06/2013 at 10:10 #

    Belo!