Cléa Sá

Eleições 2014

Foi uma tragédia a morte de Eduardo Campos. Para a família, mulher e filhos por criar; para a política brasileira, um homem jovem com muito a fazer. Mas aconteceu, infelizmente. Entortando uma frase do Machado, “não tinha de morrer, morreu”. E com isso houve grande mudança no quadro eleitoral.

Dilma estava sossegada. O discurso do “nós contra eles” estava pronto. Era repetitivo, antigo, mas vinha dando certo nas últimas eleições. Por que mudar então? Era mantê-lo e mostrar números e obras. E tirar de vez em quando “um engavetador da República” para envergonhar o adversário.

Aécio, por sua vez, via os avanços de Eduardo com o gosto de um irmão mais velho torcendo pelo desenvolvimento do caçula. Só seu crescimento poderia levar a eleição para o segundo turno. Também tinha um discurso prontinho: a inflação em alta e o PIB em baixa. De quebra, para apimentar, histórias da Petrobrás.

E eis que Marina entra na festa. Não tinha sido convidada antes por não ter roupa adequada (partido); depois pode entrar, mas só de acompanhante . A roupa era emprestada – o partido do Eduardo.

Assim, Marina saiu do “sereno” direto para o salão de baile. ( Vocês sabem o que é “sereno”? É como lá em Pedreiras se dizia de quem ficava olhando as festas dos outros do lado de fora das janelas).

E agora, José? E agora, Dilma? E agora, Aécio? E agora, você?

Haja criatividade, haja marqueteiro, haja estratégia. E vamos ver quanta artilharia a Marina aguenta. Por enquanto está lépida, faceira e com vontade de dançar.

Mas a festa está apenas começando. Observemos.

Uma lembrança necessária: Durante muitos anos nós, povo brasileiro, ficávamos no “sereno” enquanto os generais de muitas estrelas escolhiam o próximo governante.

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