VALDIR CRUZ – nada é clichê


Fotos de paisagens, de pessoas, de cachoeiras. Fácil fazer, né? Aponta a câmera, bota do automático, dispara e pronto. Se quiser um resultado ainda melhor, basta usar um dos modos automáticos do celular para clicar, por exemplo, uma praia. Tudo bem colorido, focado, facinho de distribuir no Facebook. E tudo igualzinho a tudo o que você vê nas TLs dos amigos. Quando se pensa, se pesquisa e se trabalha profundamente a criação de imagens, o resultado é bem diferente. As fotografias de Valdir Cruz, por exemplo, nos mostram que imagens “comuns” podem se transformar, como a foto de uma cachoeira que nos impressiona pela realidade quase palpável.

O trabalho de Cruz se equilibra entre o fotojornalismo, o documental e as artes plásticas. Para os que olham, surge uma vontade de refletir sobre como cada um enxerga o seu redor. Toda pessoa tem um olhar próprio, intransferível e esse é o grande segredo da fotografia, inclusive de Cruz. Mas tem de ter muito suor e tempo de estrada para algo realmente diferente. Valdir está nessa há mais de três décadas, com 25 anos na ponte aérea Brasil-EUA (onde formalmente mora), alternando estúdios em Nova Iorque e São Paulo.

Equipamento e técnica também fazem diferença. Às câmeras digitais de última geração, Cruz prefere as velhas analógicas de grande formato, que produzem negativos em branco e preto de 4×6 polegadas, perfeitos para grandes ampliações sem perda de resolução. Isso lhe permite “brincar” mais com a velocidade e manipulação de luz. Conhecido pela qualidade e tonalidades quase tácteis de suas fotos feitas em gelatina de prata, platina e paládio, as imagens de suas cachoeiras nos saltam aos olhos, dando a impressão de serem feitas em 3D.

Premiado, reconhecido, Cruz possui vários livros como Catedral, Raízes, O caminho das Águas, Carnaval, Faces da Floresta (série que traz suas fotografias dos povos indígenas da floresta amazônica realizadas ao longo de quase 30 anos). Ele também possui outros bons trabalhos como sobre sua terra natal, Guarapuava, que ficou em exibição em São Paulo no Museu da Imagem e do Som (MIS) tempos atrás. Conheça outras imagens do artista em seu site http://www.valdircruz.com.

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