Takeshi Suga: lomografia professional

Já há vários anos um novo movimento tomou de assalto a fotografia de arte: a lomografia. Trata-se de criar imagens com câmeras baratas (muitas vezes de plástico), de poucos recursos, usando filme analógico (a velha película), algumas vezes vencido. O interessante da atividade é a imprevisibilidade e a espera pela revelação para se conhecer o resultado final. Coisas interessantes podem acontecer quando você não pensa muito sobre o que está retratando e fatores absolutamente incontroláveis interferem no processo, além, claro, do distanciamento temporal. É tão fácil e sedutor apagar uma imagem na telinha da câmera sem atentar aos detalhes, e quase irresistível clicar centenas de fotos quando não há a limitação de frames do filme…


Desse modo, a lomografia tornou-se hobby para milhões de amadores e ferramenta para artistas inovadores. Seu uso profissional, no entanto, é pouquíssimo. Um exceção é o fotógrafo japonês Takeshi Suga, que conseguiu trabalhar para a renomada revista britânica de rock indie NME (New Musical Express). Usando quase que exclusivamente uma câmera Diana (ícone da lomografia) modelo Mini, que permite fazer fotos quadradas com película 35mm, e o filme Kodak Ektar 100, de grãos ultrafinos, o fotógrafo mostra que seu olhar vai muito além do cenário musical tradicional.


Quando o assunto é natureza, ele constrói imagens em dupla exposição, brinca com cores e texturas, esquece por vezes o foco e assim começa a grande viagem. A simplicidade permeia os quadros onde há uma constante alegria, quase infantil, mostrando esse universo que mais parece as fotografias que fazíamos nos anos 1970 e 1980 com câmeras como a Love e a Xereta. Na série chamada Merry’s Mood, áreas de parques de diversão surgem através das lentes de Suga que conduz nossa imaginação de forma leve a um ambiente repleto de esferas de luz, reflexos e arco-íris.

Seu método de trabalho é criativo e nos faz crer que o verdadeiro olhar expressa o momento e a forma de ver a vida. A máquina pode ser apenas um acessório. “Fotografo as flores como se estivesse conversando com elas. Me faz sentir em paz. Assim trato de refletir essa imagem, preservando esse momento como o mais belo possível”, conta.

Conheça outras imagens do fotógrafo em http://www.takeshisuga.com.

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