A rua como espaço de ser e a escala para dimensionar. A fotografia de Gérard Castello Lopes


E voltamos ao preto e branco para mostrar um dos mais respeitados fotógrafos da Europa, atuando há mais de meio século até sua morte em 2011. Francês de nascimento mas português de família e coração, Gérard Castello Lopes foi diplomata de carreira, herdeiro de uma famosa distribuidora de filmes em Portugal, jornalista, crítico e assistente de produção e co-realizador de importantes fitas do cinema lusitano. Ele começou a fotografar de forma autodidata em 1956, observando os trabalhos de Henry Cartier Bresson e influenciado pela pintura, escultura e, claro, cinema. A rua é seu espaço privilegiado de atuação. As pessoas estão muitas vezes presentes, mas são quase tão parte da paisagem quanto o céu contrastando com o asfalto e as pedras. A concretude das rochas,aliás, leva a outro elemento importante em sua obra: as escalas. Numa de suas fotos mais famosas, uma pedra parece suspensa no ar sobre o mar distante. Noutra, são as sombras de gente que aparecem separadas pelos losangos da rede em primeiro plano.


Mais raros, há também retratos delicados, como o que mostra um cachorro de óculos e bengala como se fosse um professor de linda turma de garotos. Ou a de um rapaz embrulhado e adormecido talvez sobre os panos que recobrem alguma obra de reparação arquitetônica com a cidade enevoada velando seu sono, quase levitando. E outros mais duros e perturbadores, como o close de uma nuca com sombra sobre as linhas capilares. Esse é Gérard Castello Lopes.

 

2 Responses para “A rua como espaço de ser e a escala para dimensionar. A fotografia de Gérard Castello Lopes”

  1. Cléa Sá
    Clea
    23/11/2014 at 13:00 #

    Lindas fotos, Eugênia. Seu “olhar” continua afiado. Obrigada!
    Cléa