Maureen Bisilliat, coração brasileiro

Guimarães Rosa a chamava de “cigana irlandesa” , mas foi aqui no Brasil, que ela encontrou sua identidade. Sua paixão pelo nosso país foi tão grande, que resolveu se naturalizar.

Nascida na Inglaterra, veio com os pais ainda jovem para o Brasil, por volta de 1950. O pai era diplomata e a mãe pintora. No ateliêr de artes da mãe, a fotógrafa começou a se interessar e investir em fotografia.

 


Maureen Bisilliat também buscou inspiração para suas imagens em escritores como Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Jorge Amado e muitos outros, uma forma de entender o país em que estava; daí surgiu a grande paixão: os índios e sertanejos.

Ao lado de seu marido Jacques e sua filha Sophia, na época ainda pequena, andaram por estradas de terra, a bordo de Kombi, também em barcos, em longas viagens de carro, o que lhe trazia cada vez mais informações visuais de cada região. Em suas viagens levava a câmera, seus sonhos e a literatura que a guiava. “Fiz meu trabalho indo à caça do mundo do autor, viajando de coração aberto”,  conta.

Em suas andanças, também foi convidada pelos irmãos sertanistas Orlando e Cláudio Villas Bôas, para documentar a vida dos índios no Xingu, por onde também passou um tempo. Esse material, sem dúvida, vem somar a uma série de registros fotográficos e de filmagens raríssimos e  precisos de uma época que não volta mais, de um povo que esta sendo empurrado para extinção.

Trabalhou também para a editora Abril, nas revistas Realidade e Quatro Rodas, com ensaios que ficaram célebres, como “A batucada dos bambas”, sobre o tradicional samba carioca e “Caranguejeiras”, retratando o universo das mulheres catadoras de caranguejos nas aldeias paraibanas de Livramento.

Em 1988, foi convidada por Darcy Ribeiro para montar o acervo de arte popular latino-americana, dando origem ao Pavilhão da Criatividade do Memorial da América Latina. Sua obra é considerada por muitos como uma “antropologia visual”.
Hoje, um dos projetos de Bisilliat é documentar os moradores da praça da Sé em São Paulo.
“Seriam conversas com os fracos, fortes e ‘ferrados’, questionamentos sobre suas vidas.
Maureen Bisilliat não somente guarda parte de nossa história, como também se tornou parte dela.
Espero que gostem, ano que vem tem mais!!

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