Lee Miller, fotógrafa não por acaso

Não é muito fácil encontrar mulheres fotografando guerras. Mas elas sempre estiveram no front com a câmera na mão, desde de pelo menos Gerda Taro, companheira de Robert Capa morta durante a Guerra civil espanhola em 1937, até Leila Alaoui, fotógrafa da Anistia Internacional assassinada num atentado da Al Qaeda em Burkina Faso em 18 de janeiro. Entre as pioneiras no ramo está Lee Miller, que começou sua carreira como modelo fotográfico e mudou para trás das lentes em 1939 afim de cobrir a II Guerra Mundial para a London War Correspondents Corp.


Sua coragem, seu olhar e sua perspicácia faziam todo diferencial num campo de batalha, onde a tendência das imagens é seguir um mesmo padrão de exaltar a “honra” dos combatentes conterrâneos ou aliados. No meio do caos, ela buscava simbologias que expressassem o momento. E para isso teve imensa influência de Man Ray, artista vanguardista que ajudou a transformar os rumos da fotografia .


Seu trabalho intenso em situações de conflito expunha as mazelas, como os muitos órfãos e refugiados, mostrando um ponto de vista honesto, sem firulas, indo direto ao ponto, geralmente onde doía mais. Mas ela fez também importantes retratos de amigos artistas como Picasso, Joan Miró e Antoni Tàpies. Morou no México, onde teve uma vida intensa, regada a muitas imagens e uma grande amizade com Frida Kahlo.

 


Algumas de suas fotografias foram selecionadas para a exposição A Família do Homem, no Museu de Artes Moderna de Nova York em 1955. Tempos depois, foi convidada de honra pelo Museu de Arte Moderna de Nova York para palestrar sobre Encontros Internacionais de Fotografia e Artes. Em 1949, resolveu viver em uma fazenda na Inglaterra para cuidar do único filho. E de lá saiu poucas vezes até sua morte em 1977. Hoje a fazenda se tornou um museu de fotografias e lembranças. Uma nova exposição de suas fotos de guerra está em cartaz no Museu Imperial das Guerras (IWM) em Londres até o dia 25 de abril.

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