João Silva

 

A fotografia de guerra é um campo de trabalho normalmente solitário. É complicado para um correspondente manter vínculos e relacionamentos estáveis viajando constantemente para países longínquos e arriscando a vida por imagens de dor e desespero. Por outro lado, em momentos específicos da história, grandes profissionais podem estar cobrindo uma mesma situação extrema, especialmente se ela acontecer em seu próprio país. Foi assim que nasceu o mais célebre dos grupos de fotojornalistas recentes: o Clube do Bang Bang. Nessa e nas próximas semanas, mostraremos algumas fotos de seus quatro membros: Kevin Carter, Greg Marinovich, Ken Oosterbroek e João Silva.

 

Para começar, escolhemos o único a seguir trabalhando na cobertura de conflitos internacionais. Nascido em Lisboa e indo depois para Moçambique e finalmente África do Sul, João Silva é a própria definição de sobrevivente apaixonado pelo que faz. Como os demais, ele também vivia em Joanesburgo e iniciava sua carreira no jornalismo quando começou a cair o regime do Apartheid. Dois de seus companheiros, Carter e Oosterbroek, morreram ainda na metade dos anos 1990. Marinovich, ferido diversas vezes, largou os campos de batalha (pelo menos os internacionais).

 

Mas Silva decidiu sair da África para acompanhar as guerras mundo afora. Em 2010, teve as duas pernas amputadas após a explosão de uma mina antipessoal no Afeganistão. Ele levou quase um ano para se adaptar às próteses e andar novamente. E mais um ano para voltar a fotografar profissionalmente para o The New York Times. Em janeiro, ele e Marinovich cobriram os conflitos, com diversas mortes e centenas de prisões, no distrito de Zamdela, próximo a Sasolburg, na África do Sul.

 

 

 

 

 

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