Grete Stern e Horacio Copolla – Fotografia em dobro.

Surrealismo, realismo fantástico, arquitetura, retrato, experimentação, feminismo e uma paixão comum pela arte da imagem. Depois de se conhecerem nas aulas de fotografia da mítica Escola de Bauhaus, em Berlim em 1932, Grete Stern e Horacio Copolla, abandonaram a Alemanha com a ascensão do nazismo, em 1933, e partiram para o mundo. Primeiro, Londres, por dois anos. Depois, a América Latina, mais especificamente: a Argentina. Lá tiveram contato com artistas, arquitetos, filósofos e escritores que mudariam as linguagens em seus respectivos campos de atuação.

 


Pioneiros, sua primeira exposição conjunta em Buenos Aires, cidade onde escolheram viver até que a morte levou Stern em 1999 e Copolla 13 anos depois, aconteceu em 1935 e apresentou o casal ao mundo. Tornaram-se referência da fotografia moderna argentina e dois de seus mais importantes representantes até hoje. Stern, junto com Ellen Auerbach, já havia fundado um estúdio fotográfico na Alemanha, em 1929, que desafiou os padrões da imagem publicitária, em especial a representação da mulher. Copolla, por seu lado, influenciado pelo cinema surrealista, trabalhava ora com o naturezas mortas fora do comum, ora com paisagens enevoadas da capital argentina.


Ela de família judaica, ele argentino descendente de italianos, criaram juntos por uma década, até se separarem em 1943, pouco antes da queda de Hitler e Mussolini. Assim como eu e o Vinicius, talvez acreditassem, pelo menos por um tempo, que um mais um é mais que dois. Apesar disso, ainda hoje é difícil separar as obras e histórias de ambos. Tanto, que recentemente o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque decidiu fazer uma grande exposição com cerca de 300 fotografias feitas pelo casal. Aqui, vocês podem ter agora uma mostra da delicadeza em preto e branco de Stern e Copolla. Boa viagem.

 

 

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