A cor e o cotidiano por Martin Parr


A fotografia digital levou a extremos a saturação de cores que tínhamos no cromo. Seu uso intensificado leva a uma sensação psicodélica nas cenas cotidianas, que para nossos olhos estressados dos caminhos diários nas grande cidades, muitas vezes parecem mais cinzas do que são na verdade. É com esse material entre a realidade e a hiper-realidade que trabalha um dos mais importantes nomes do cenário da fotografia contemporânea e atual presidente da Agência Magnum: Martin Parr.


Usando um ângulo quase sempre bem fechado para um enquadramento de close-up que nos aproxima ao máximo do objeto fotográfico, os registros do autor britânico são recheados de um humor sarcástico no retrato da classe média em momentos de lazer. Nas fotos mais abertas o contraste cromático predomina para separar cenas ou criar molduras. Com críticas ácidas ao excesso, ao consumismo e à futilidade, o indivíduo retratado por Parr é questionado em sua própria existência. Há um certo sentimento de vazio em meio à poluição visual criada pelo homem.


Em breve, teremos duas boas oportunidades de conferir suas fotos de perto. Em outubro Galeria Lume, de São Paulo, trará um de seus trabalhos mais recentes, “Black Country Stories”, de 2014. Produzido em uma região inglesa que vive o declínio industrial, a série mostra a revitalização da área pelos imigrantes recém chegados. Já no ano que vem, está programada uma retrospectiva mais ampla do fotógrafo, que vai ocupar dois andares do MIS (Museu da Imagem e do Som) durante a quinta edição do evento Maio Fotografia. Se quiser dar uma espiada no que vem, acesse mais em
Martin Parr

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