Antanas Sutkus: um olhar livre

Sutkus é talvez o mais conhecido fotógrafo da Lituânia sob domínio soviético, especialmente por causa de suas imagens de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir em visita ao país em 1965 que rodaram o mundo, algumas creditadas erroneamente por décadas a Henri Cartier-Bresson. Um panorama mais amplo da obra desse gênio do preto e branco, no entanto, só seria conhecido do grande público a partir do fim da União Soviética, na virada dos anos 1980 para 1990.

Diferente de outros ícones da Cortina de Ferro, como Alexander Rodchenko, Sutkus se afastou da estética do Realismo Soviético, que enaltecia o regime, para se dedicar ao retrato do povo simples e do cotidiano de seu país, o que lhe rendeu muitos problemas com as autoridades. Esse é o caso, por exemplo, de suas fotos de uma escola para cegos, de fervor religioso (comparadas com outras de “culto aos líderes políticos”), e de imagens aéreas do interior da Lituânia (proibidas durante a Guerra Fria).

Além da luta político-ideológica, Sutkus enfrentou também grandes tragédias pessoais marcadas em suas fotografias. Uma das mais emblemáticas é o retrato de seu filho Simas descansando sobre a lápide de um cemitério judeu em 1972. Anos depois, Simas seguiria o exemplo do avô (pai de Sutkus) e tiraria a própria vida. Assim, o olhar de Sutkus sobre sua terra e seu povo, quase sempre terno, traz uma inevitável melancolia. Contudo, seguiu mantendo sempre a liberdade e a integridade de alguém que jamais se curvou aos ditames da censura e da ditadura.

Quem quiser conhecer um pouco mais da obra de Sutkus tem a oportunidade de conferir em São Paulo, no Conjunto Cultural da Caixa Econômica Federal da Praça da Sé até o dia 21 de abril, a exposição Um Olhar Livre, com 120 imagens do fotógrafo. Vale a pena.

3 Responses para “Antanas Sutkus: um olhar livre”

  1. clelia maria martini rodrigues
    23/03/2013 at 17:00 #

    História triste.
    Belas fotos.

    Irei vê-las.

  2. Cléa Sá
    Cléa Sá
    22/03/2013 at 16:48 #

    Gostei muito, Eugeninha. Se pudesse, iria a São Paulo ver a exposição dele. Veja por mim. Parabéns pela escolha.