Angola, a esperança de um povo


Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá

Eram 8:00hs da manhã e o sol já batia os 35 graus. A dor de barriga, bem como a vontade de vomitar eram insuportáveis. Tínhamos de segurar um ao outro, em revezamento contínuo. O dia seria longo em Luanda.

O cheiro de esgoto era penetrante até mesmo sob os vidros fechados do carro com ar condicionado. Os prédios estavam bem destruídos e não havia energia elétrica para todos na cidade. Navios imensos meio afundados na baía e pilhas de lixo se encontravam por todos os lados que olhavámos em terra.

Angola acabava de sair de uma guerra de 27 anos (fora os 14 de luta pela independência de Portugal) e apesar de tudo isso que víamos, não era o que enxergávamos.

Sob sucatas e lixões surgiam pessoas e feiras gigantescas, onde crianças tinham preço, bem como a farinha. Tudo muito colorido num cenário preto e branco.

De repente, nosso táxi é parado por militares e o nosso motorista têm um acesso de pânico visível. Ele grita consoco dizendo que nunca mais viaja com jornalista.

Levam o Vini para dentro de uma delegacia e ordenam que eu fique aguardando dentro do carro. O taxista não para de reclamar. Enquanto isso, uma fila de jovens seguiam com crianças embrulhadas em lenções amarrados nas costas.

Tudo em paz! Após um interrogatório por “fotografarmos instalações militares” (o que não aconteceu) e a apreensão de alguns rolos de filme, fomos liberados e seguimos com o motorista mal humorado para um acampamento de jovens evangélicos.
Lá, abrigo e comida nos esperavam. Havíamos perdido peso e eu estava ainda mais doente que o Vini. Mas a experiência foi de extrema importância para conhecermos melhor o povo angolano. Fizemos amigos e nos tornamos de certa maneira ídolos daqueles estudantes. Nunca mais os perderemos da memória.

Dizer que Angola foi a mais especial de todas as viagens seria reduntante, afinal , de certa forma, foi aí que tudo começou…

Longa vida e prosperidade a todos!

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2 Responses para “Angola, a esperança de um povo”

  1. vinicius
    25/12/2012 at 14:37 #

    obrigado, querida Glaucia.
    esse trabalho realmente continua rendendo frutos.
    um grande beijo,
    Vinicius e Ge

  2. Glaucia Redondo
    22/12/2012 at 21:27 #

    O texto me faz lembrar da exposição na Caixa Econômica, anos atrás. Fotos que nunca vou esquecer, com descrições das meninas seqüestradas pelos guerrilheiros, e de seus reencontros com os pais. Marcaram minha memória. Gê e Vini sabem conjugar talento com sensibilidade, algo que admiro muito!