América minada

Vinicius Souza e Maria   Eugênia Sá

Junto com a viagem a Angola, nosso segundo projeto na  Colômbia foi um dos mais produtivos, dando em livro, documentário, artigos e   até dissertação de mestrado. Mas diferente da África, tivemos pouca ajuda do Comitê   Internacional da Cruz Vermelha. Nossos principais contatos com as vítimas de   minas vieram de outras ONGs, com muito menos estrutura. A viagem a Cocorná,   município mais minado do departamento (estado) mais minado do país, por   exemplo, foi feita num ônibus de linha comum. O trajeto foi cansativo, com   várias paradas em postos militares bem pouco confortável.

Já na cidade, o carga emocional de entrevistar em   reuniões, casas particulares, na praça pública e até num cemitério, tantas   pessoas mutiladas estupidamente nos esgotou completamente. O sofrimento no ar   era quase palpável numa população literalmente ferida a ferro e fogo. No   final da tarde, quase não nos aguentávamos em pé. Mesmo assim, não sei bem   porque, recusamos todos os convites para pernoitar em um hotelzinho de   Cocorná e decidimos voltar para Medellín na mesma noite. Foi uma sábia   decisão. Naquela madrugada, as Farcs tomaram as estradas para o município,   isolando a região por mais de uma semana. Por poucas horas não ficamos presos   na área de conflito aberto, o que nos faria perder a volta ao Brasil e talvez   mais do que isso.

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3 Responses para “América minada”

  1. Nome
    27/12/2012 at 16:59 #

    Gê, eu admiro muito o seu trabalho e imagino como deve ter sido delicado esse processo. Vc consegue captar imagens fantásticas e que nos dizem muito mais do que podemos interpretar.
    Salve nosso bom e velho sexto sentido!!!! Parabéns! Um bjao!

  2. Glaucia Redondo
    22/12/2012 at 21:34 #

    Que bom que vcs foram para Medelin! Intuição conta, e muito!

  3. vinicius
    21/12/2012 at 13:14 #

    valeu, Clea! bom natal pra vcs. gostariamos muito de estar com vcs, mas esse ano nao vai dar. bjs V, G e Maya (nao foi ela que disse que o mundo ia acabar)