A Gata e o Bonde

Cinema é fotografia em movimento, a 24 quadros por segundo. Apesar da diferença de equipamentos, a técnica tem suas semelhanças. Tudo é uma questão de luz, de profundidade, de sensibilidade para dar o tom, textura e sombras corretas. Na época do analógico então, sem os recursos de computação de um Avatar, o domínio de lentes e ângulos era tão importante nas narrativas na telona quanto o texto e a interpretação. Juntando os três, temos obras inesquecíveis.

Trabalhos magníficos no cinema podem ser conseguidos quando os diretores são exigentes e pensam na fotografia como parte do todo. Por isso, essa semana escolhemos duas adaptações para o cinema de peças do dramaturgo Tennessee Williams que contaram com a colaboração de dois monstros da fotografia cinematográfica: William H. Daniels, o fotógrafo preferido de Greta Garbo e que foi indicado ao Oscar na época por seu trabalho em Gata em Teto de Zinco Quente, e Harry Stradling Jr. igualmente competente com sua grande angular, produzindo imagens elegantes em branco e preto dando ênfase ao close, resultando numa maior dramaticidade às cenas e atores em Um Bonde Chamado Desejo. Em PB ou a cores, ambos os fotógrafos conseguiram passar, ainda, todo o calor (sexual, de tensão e do clima) das peças ambientadas no quente verão do sul dos Estados Unidos.

Deixo-os então em boa companhia: Marlon Brando, Paul Newman, Elizabeth Taylor, Vivien Leigh e, claro, William H. Daniels e Harry Stradling Jr.

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