Raquel Sá

Tudo pelo poder

Alguns municípios brasileiros já elegeram o seu prefeito, mas em algumas cidades vai ocorrer o segundo turno, no fim deste mês. É um bom período para assistir e debater o quarto filme de George Clooney, Tudo pelo Poder.

Além disso, 2012 é ano eleitoral nos Estados Unidos e os olhos do mundo estão voltados para lá, afinal, não há como negar que as decisões do homem “mais importante do planeta” influenciam, de uma forma ou de outra, a forma de governar das demais nações.

O superastro Clooney assina o roteiro, em parceria com Grant Heslov e Beau Willimon (autor da peça que inspirou a produção), que apresenta uma visão mordaz dos bastidores da eleição norte-americana, ainda na fase da escolha do candidato democrata, em meados de março – o que casa perfeitamente com o título original, Ides of March.

O ator-diretor acertou na própria escalação para interpretar o carismático candidato a Presidente. Baseado na peça Farragut North (nome da estação de metrô onde ficam os escritórios dos lobistas de Washington), o filme mostra a campanha do governador Mike Morris à Presidência dos EUA e os percursos que a sua equipe enfrenta para que ele seja o escolhido para representar o partido democrata. Vemos tudo pelos olhos do jovem assessor Stephen Meyers (Ryan Gossling), que confia no discurso ético de seu candidato e, ao longo do filme, questionará os limites de seus próprios valores morais.

O filme é um drama movimentado, que consegue conquistar o espectador já na abertura, quando vemos Stephen Meyers diante de um microfone, falando das coisas em que acredita. Logo depois descobrimos que ele estava apenas ensaiando o discurso que Mike Morris faria em seguida no estado de Ohio. Cenas deste tipo ressaltam o caráter ficcional da política, em que nada é improvisado e nem pode sair do roteiro previsto.

A produção ressalta a importância que uma boa equipe de assessores políticos tem na construção da imagem de um candidato e como ela é crucial para a vitória (ou derrota) do mesmo. E também apresenta a disputa pelo poder, as alianças políticas, as intrigas, as tentativas de corrupção dos valores e o império da lei do mais forte. O idealista mas ambicioso Stephen Meyers terá que fazer escolhas difíceis no meio de tudo isso.

Os ângulos escolhidos para contar a história, com muitos closes, mostram os conflitos vividos por Meyers “de perto”. Os embates de seu personagem com os demais são críveis e o roteiro ágil não deixa o espectador se distrair em nenhum momento. E estão lá também as pessoas que habitam o meio político: o chefe experiente (Phillip Seymour Hoffman); o cínico assessor do candidato concorrente (Paul Giamatti); o senador de moral ambígua (Jeffrey Wright); a jornalista que constrói a carreira em cima das informações “quentes” obtidas nos bastidores (Marisa Tomei) e a estagiária obrigada pelas circunstâncias a amadurecer e a perder a inocência (Evan Rachel Wood).

Clooney, como é comum nos casos de atores que se tornam diretores, conseguiu bons desempenhos de todo o elenco e permitiu que Ryan Gossling provasse, mais uma vez, porque é a principal promessa de Hollywood. O ator tem o talento e o charme necessário para transformar os espectadores em aliados da jornada de auto-descoberta de seu personagem.

Ficha Técnica:
Diretor: George Clooney
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Jeffrey Wright
Produção: Grant Heslov, George Clooney, Brian Oliver
Roteiro: Grant Heslov
Fotografia: Phedon Papamichael
Duração: 101 min.
Ano: 2011
País: EUA

Gênero: Drama

Postado em 16/10/2012

 

2 Responses para “Tudo pelo poder”

  1. Raquel Sá
    Raquel
    25/10/2012 at 20:37 #

    Oi Lia, que bom que gostou do texto. A proposta aqui e mesmo refletir sobre os filmes, mas em forma de bate-papo. Abraços, Raquel

  2. LIa
    24/10/2012 at 09:40 #

    um texto muito gostoso sobre um filme maravilhoso! gosto de ler comentários depois de assistir ao filme, ver o que me escapou, o que o outro captou e interpretou… enfim, aquele papo no chopp (ou café?) depois da sessão com um amigo do peito. valeu!