Raquel Sá

Toda forma de amor

A festa do Oscar chama a atenção de todos. Na época, até mesmo os mais desligados do mundo cinematográfico ficam curiosos em relação aos indicados. Este ano não foi diferente. Toda forma de amor deu prêmio de melhor coadjuvante ao veterano ator Christopher Plummer, e era um dos bons títulos na disputa. Porém, sequer passou nos cinemas. Provavelmente pela temática fora do comum (relação entre filho melancólico e pai que se revela gay ao ficar viúvo). É um filme discreto, delicado, que trata com sensibilidade de temas sérios, como a solidão e a morte. E, por ter estas qualidades, não é recomendável a todos os públicos.

É bom frisar, entretanto, que não é só Plummer que está muito a vontade em cena, e mereceu todos os prêmios que levou pelo papel. Ewan McGregor, Melanie Laurent e até Goran Visnjic, em pequena participação, transmitem verdade em suas interpretações. Eles parecem imperfeitos, inseguros, egoístas, mas também alegres e contagiantes, como as pessoas do mundo real são.

Acompanhamos a história pelo olhar de Oliver Fields (McGregor), trintão ainda solteiro e grilado, desacreditado do amor, após uma série de relacionamentos fracassados. Ele é um artista gráfico de pouco sucesso, que se vê obrigado a amadurecer após a morte dos pais. Inicialmente da mãe, que aparece pouco em cena, mas é fundamental para a plateia entender como a personalidade de Oliver foi construída ao longo dos anos, e depois do pai, Hal (Plummer), que vive intensamente os seus últimos cinco anos de vida.

A relação de pai e filho é permeada de afeto e aceitação das diferenças e será crucial para que Oliver se abra de verdade para o amor. Mas a vida é complicada e Anna (Laurent), a atriz com quem ele inicia um relacionamento, também tem os seus problemas emocionais para resolver e não sabe exatamente como conduzir a relação para que dê certo.

O filme intercala passado e presente sem confundir o espectador, em uma edição que amarra as cenas por associação de ideias e pensamentos do personagem principal. A narrativa em off torna o espectador mais próximo do deprimido e imaginativo Oliver, alter-ego do diretor e roteirista Mike Mills, que se inspirou em sua própria vida para criar a história.

A forma de contar este drama romântico é leve, bem-humorada, sem pressa, e conta com elementos cativantes, como os desenhos/quadros feitos por Oliver, a trilha sonora e o cachorrinho Artur, herdado pelo personagem após a morte de Hal, que interage bem nas cenas de “diálogo” com seu novo dono.

Ao longo da trama várias questões são colocadas ao público. É possível aceitar o outro por inteiro? A vida dos mais próximos serve de exemplo para a nossa? Até que ponto podemos nos sacrificar pelo outro? Como conciliar a individualidade na vida a dois? Há uma forma correta de amar?Além disso, há uma série de mensagens: aceite o inesperado, o acaso, os seus pais, não faça planos, viva o dia de hoje e ame sem preconceito.

Beginners, título original do filme, combina com a história. Afinal, os personagens são iniciantes na arte de amar e, principalmente, de viver (bem) a vida.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Mike Mills

Elenco: Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent, Goran Visnjic, Kai Lennox, Mary Page Keller, Keegan Boos, China Shavers, Melissa Tang, Amanda Payton

Produção: Miranda de Pencier, Lars Knudsen, Leslie Urdang, Jay Van Hoy, Dean Vanech

Roteiro: Mike Mills

Fotografia: Kasper Tuxen

Trilha Sonora: Roger Neill, Dave Palmer, Brian Reitzell

Duração: 105 min.

Ano: 2010

País: EUA

Gênero: Comédia Dramática

Cor: Colorido

Distribuidora: Universal

Estúdio: Olympus Pictures / Roos Film

Postado em 29/08/2012

 

 

 

2 Responses para “Toda forma de amor”

  1. Raquel Sá
    Raquel
    25/10/2012 at 21:08 #

    Oi Lia, vi este filme seguindo o costume antigo do seculo passado, de ir até uma locadora e alugar um filme. No caso, a Clube do Video, na 308 Sul. Talvez o filme tenha saído em blu ray. Não sei, vi em DVD mesmo. Depois que assistir a Beginners, me conte o que achou. Abracos

  2. LIa
    24/10/2012 at 09:50 #

    bem, como vc disse, não passou nos cinemas, não vi… por isso, não li totalmente seu texto, só passei os olhos por cima – e achei o título original, coisa q eu acabei de pedir em outro post… então, como faço pra assistir? aquela coisa antiga de alugar filme na locadora? da última vez q tentei, o danado não passava no meu blu-ray, ou era o blu-ray q não passava, enfim, parecia mais antigamente, aquelas fitas de vídeo q enrolavam e a máquina mastigava… isso me lembrou outro filme genial, acho q chama rebobine, por favor. pois então: até o que não li deu vontade de ver o filme. já vi q posso ir atrás do q vc comenta. me ajude a assistir a toda forma de amor, ou beginners, much better! depois de assistir, venho ler direitinho o q vc disse.