Raquel Sá

Serra Pelada


Serra Pelada destaca-se no cenário nacional, dominado por comédias rasteiras, por recriar com qualidade o formigueiro humano que se formou no sul do Pará nos anos 80. Milhares de homens foram trabalhar lá, em condições precárias, em busca de enriquecimento fácil. Mas, como é comum nesses casos, foram poucos os que saíram do local realmente ricos.


A mina de ouro, divulgada nos jornais, revistas e telejornais da época atraiu uma multidão de todos os cantos do país. Pessoas sem nada a perder, dispostas a transformar os sonhos de consumo em realidade a qualquer custo.
A vida dura no maior garimpo do mundo a céu aberto transforma a vida dos protagonistas Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade), que partem de São Paulo como amigos de infância e ao longo de três anos colocarão a amizade e os valores morais em xeque.
O roteiro, escrito pelo diretor Heitor Dhalia e sua mulher, Vera Egito, é centrado na dupla, com o rico painel de personagens (traficantes, prostitutas, homossexuais…) que habitavam Serra Pelada de fundo. A trama é bem conduzida, porém certos diálogos e a narração em off pecam pela obviedade em alguns momentos.
A fotografia, em tons de amarelo, casa perfeitamente com as imagens de arquivo, assim como o cancioneiro brega combina com a trama.
Atualmente, Serra Pelada está desativada e tomada por água. Portanto, seria inviável recriar o seu “auge” no próprio local, que chegou a ter cerca de 100 mil homens trabalhando nas jazidas de ouro. A solução foi procurar um novo terreno para as filmagens, que acabaram realizadas em uma mineradora em Mogi das Cruzes (SP), com a ajuda de 1,6 mil figurantes.
A produção acertou ao escalar bons atores para os papéis centrais, que transmitem verdade ao se verem tentados a ceder a ganância, a sede de poder e a violência que imperam no garimpo. O restante do elenco também não compromete e o público saí do cinema com a impressão de ter compreendido como funcionava o negócio, quem eram os chefões, e qual era o papel desempenhado pelo Estado, pelas mulheres e pelos homens que ali habitavam.
Além disso, o filme mostra o amadurecimento de Dhalia na direção (Nina, O Cheiro do Ralo, À Deriva e o hollywoodiano 12 Horas). Vale a pena ir ao cinema para ver uma parte importante da história do Brasil, quando centenas de homens saíram de suas casas para tentar a sorte em Serra Pelada, durante os últimos anos da ditadura militar no comando do país.

Serra Pelada
Direção: Heitor Dhalia
Roteiro: Heitor Dhalia, Vera Egito
Gênero: Drama
Elenco: Juliano Cazarré, Júlio Andrade, Matheus Nachtergaele, Sophie Charlotte, Wagner Moura, Eline Porto, Lyu Arisson, Edmilson Cordeiro, Silvero Pereira, Démick Lopes e Jesuita Barbosa.
Produção: Heitor Dhalia, Tatiana Quintella
Fotografia: Ricardo Della Rosa
Duração: 120 minutos

Uma opinião para “Serra Pelada”

  1. maria eugenia
    15/11/2013 at 23:03 #

    excelente a dica!!