Raquel Sá

Rudderless

Pensei em retomar a coluna falando sobre os filmes indicados ao Oscar, mas decidi escrever sobre produções menores, “desconhecidas”. Rudderless (Sem Rumo, em português) nem foi lançado nas salas brasileiras.
Esse filme também pode ser encontrado em DVD ou Blu – Ray, com o nome de Sonhos à deriva ou Força para viver, e marca a estreia na direção para cinema do ator William H. Macy. Antes, ele havia dirigido o telefilme Lip Service, em 1988.

A história mostra o reestabelecimento emocional de um pai que perde o filho adolescente. Ele consegue se reconectar e conhecer melhor o filho por meio das músicas que ele havia composto e gravado em fitas cassetes. Acompanhamos o personagem minutos antes e logo após a tragédia, como um publicitário bem-sucedido e, em seguida, a narrativa avança no tempo e o vemos dois anos depois, já alcoólatra, morando em um barco e trabalhando como pintor de paredes.

Aos poucos o drama do protagonista vai sendo esclarecido ao público – o que realmente aconteceu para que Sam mudasse completamente a sua vida –, assim como acompanhamos o importante papel da arte na transformação das pessoas.
Sam apresenta as canções do filho Josh (Miles Hetzer) em um bar local, chamando a atenção de Quentin (Anton Yelchin). A bela amizade que os une acontece pela música, fazendo com que os dois desenvolvam uma espécie de relação pai e filho. Além disso, o elenco é bom (conta ainda com Felicity Huffman, Lawrence Fishburne e o próprio Macy, em pequena participação) e as canções (compostas por Simon Steadman, Charlton Steadman e Fink) são envolventes, melancólicas, bonitas, e conseguem transmitir o turbilhão de emoções que Josh estava passando antes de falecer.
O filme, na verdade, apresenta elementos/dicas da tragédia que vitimou o filho de Sam desde a primeira cena. Entretanto, se a informação passar batido para o espectador, existe o momento da “revelação” e, a partir daí, a história ganha novas camadas e tudo fica mais interessante para o público.
Eu descobri esse filme por acaso, mudando de canal, e a música de abertura foi cativante o suficiente para eu manter o controle parado. Continuei assistindo porque gostei da forma sensível e despretensiosa como foi conduzida a história. Acho que Macy, que também é roteirista (junto com Jeff Robison e Casey Twenter), acertou ao escolher um novo viés para tratar de um tema forte, delicado, porém comum, no noticiário.
Rudderless mostra o talento de Macy na direção de atores. O protagonista Billy Crudup tem a melhor atuação da carreira nesta produção. O filme emociona e promove reflexão sobre os relacionamentos familiares, inserindo dúvidas sobre o quanto conhecemos (ou não) as pessoas mais próximas. Vale a pena ser descoberto.
Rudderless
Direção: William H. Macy.
Roteiro: William H. Macy, Jeff Robison e Casey Twenter.
Elenco: Billy Crudup, Anton Yelchin, Felicity Huffman, Lawrence Fishburne, Ben Kweller, Ryan Dean, Selena Gomez, Miles Hetzer.
Gênero: Drama Musical.
Duração: 105 minutos.
Censura: 16 anos.

Uma opinião para “Rudderless”

  1. Ruth
    27/07/2016 at 00:14 #

    Uma das melhores de Anton Yelchin!!!