Raquel Sá

Oscar 2014

No dia 02 de março o mundo cinematográfico e, especialmente, os amantes da indústria hollywoodiana, estará de olho na festa do Oscar.

É cafona, longa e (quase sempre) injusta. Grandes nomes como Alfred Hithcock, Charles Chaplin ou Stanley Kubrick nunca receberam uma estatueta como melhor diretor, só para citar três cineastas que só foram reconhecidos pelo conjunto da obra ou prêmio de melhor efeitos especiais por 2001 – Uma odisséia no espaço, no caso de Kubrick.


Dezenas de atores e atrizes talentosos não receberam prêmios da Academia e alguns jamais serão agraciados com um Oscar, tendo que se contentar com indicações, enquanto estrelas que estão bem em determinado papel, mesmo que não tenham tido as melhores interpretações do ano, levam para casa o cobiçado prêmio.

Quem gosta da cerimônia – e são muitas as pessoas que gostam – sabem que essas coisas fazem parte do show. Entretanto, há um público que assiste a cerimônia só para poder criticar depois, com mais propriedade. Contudo, existem aqueles que realmente curtem o glamour do desfile de astros e estrelas na telinha com seus belos vestidos e smokings.

Apesar das críticas, é preciso reconhecer que o Oscar ainda é o prêmio mais conhecido do cinema, e o que melhor aponta as tendências da indústria cinematográfica. Em um ano pode ser a valorização dos musicais, e em outro a Academia pode querem dar uma força aos pequenos estúdios e premiar uma produção independente. Ano passado, por exemplo, o vencedor de melhor filme foi Argo, uma história meio absurda, mas real, sobre um grupo de diplomatas americanos que, em 1979, escapou da embaixada em Teerã – que estava sob o domínio de revolucionários iranianos. Eles saíram do país disfarçados de membros de uma equipe de filmagem. É uma produção que homenageia Hollywood, ainda que possua um leve tom de sátira. Mas o diretor (e ator) Ben Affleck não ganhou a sua estatueta, pois nem concorreu na categoria de melhor diretor.

Agora em 2014, os filmes com mais chances de serem premiados são os que receberam o maior número de indicações, como é o caso do drama 12 anos de escravidão, que concorre em nove categorias; a ficção científica Gravidade e a comédia Trapaça, ambos com 10 indicações. O consagrado diretor Martin Scorcese, cujo estilo cinematográfico inspirou a maneira de contar a história do filme de David O. Russel (Trapaça), concorre em cinco categorias com sua nova produção, O Lobo de Walll Street, mas deve sair da festa de mãos vazias. Assim como Woody Allen, que concorre em três categorias, mas só tem chances de garantir um Oscar para Cate Blanchett, confirmando a tendência da Academia de premiar as atrizes dirigidas pelo cineasta.

O prêmio de melhor ator deve ir para Matthew McConaughey, que interpreta um eletricista/cowboy de rodeio que se descobre com aids nos anos 80 em Clube de Compras Dallas. A mesma produção deve premiar Jared Leto, que ganhou todos os prêmios de coadjuvante do ano ao interpretar um travesti e deve aumentar a sua coleção de troféus com o Oscar. A incógnita maior é quanto a atriz coadjuvante. Apesar da estreante Lupita Nyongo (12 anos de escravidão) liderar as apostas, ela pode perder para a nova queridinha da Academia, Jennifer Lawrence (Trapaça), premiada como melhor atriz no ano passado.

É importante lembrar que a Academia gosta de surpreender, então algumas categorias podem sair diferentes do previsto pela imprensa e pelos especialistas na premiação. Normalmente isso ocorre com filme estrangeiro, melhor roteiro, curta-metragem, ou algum prêmio técnico (fotografia/maquiagem/efeitos visuais). Nas categorias de atuação ou da escolha do melhor filme do ano é mais raro, mas acontece. Portanto, é bom ficar de olho na premiação no dia 02 de março.

Sem comentários ainda.