Raquel Sá

O Palhaço

Esta coluna será dedicada ao cinema e decidi começar falando do filme brasileiro O Palhaço, que assisti há quase um ano. Mas ainda lembro muita coisa da história, o que mostra que o ator Selton Mello (em sua segunda direção de longas) acertou na dosagem de humor e comédia do filme e realizou uma obra sensível e marcante.

A história não é das mais originais. O Circo Esperança é comandada pelo palhaço Puro-Sangue (Valdemar) e seu filho Pangaré (Benjamin), que administra financeiramente o negócio. Logo no início da trama percebemos que o dinheiro está curto, o público anda diminuindo e o jovem palhaço, que diverte a todos, é na verdade infeliz e insatisfeito com a vida errante que leva.

Há uma certa poesia, entretanto, na forma de contar a busca de Benjamin por um ventilador para a trupe ou a dificuldade de conseguir a sua primeira carteira de identidade. A obtenção destes objetos simboliza uma mudança de vida, que esteja mais de acordo com os padrões vigentes na sociedade, como se estabelecer em um local certo e trabalhar todo dia no mesmo lugar. E é exatamente quando se afasta de sua “família circense” que o personagem principal descobre a sua verdadeira vocação.

Selton Mello é um dos atores mais celebrados de nosso cinema – também bem conhecido do público televisivo – e sabe que é o principal chamariz do filme. Ele aproveita a fama para homenagear nomes meio esquecidos do humor brasileiro, como Moacir Franco, Ferrugem e Jorge Loredo (o eterno Zé Bonitinho), que valorizam as pequenas cenas em que aparecem.

A época em que a história se passa é indefinida, mas tudo remete ao passado, desde a inocência dos personagens até o ar singelo dos vilarejos por onde o circo passa. O humor é leve, sem piadas apelativas e a “atmosfera” do filme lembra a forma de narrar histórias de grandes nomes do cinema internacional (Chaplin, Fellini, Wes Anderson, Kusturica…) A lista de referências é longa, mas o filme consegue somar estes elementos de forma original.

A música animada combina com a história, a fotografia com cores saturadas ajudam a capturar a “magia” do circo e as tomadas amplas acentuam o sentido de solidão que o personagem principal, em crise de identidade, está sentindo. Não é um filme perfeito, mas é bem humano e divertido, e consegue fazer o público refletir sobre a sua própria vida.

A escolha dos atores para viver os personagens do circo também é um ponto positivo, além de contar com a participação especial de comediantes da nova safra, como Emílio Orciollo Netto e Fabiana Karla.

É, sem dúvida, um filme nostálgico, que olha com carinho para o universo circense, mas é principalmente um exemplo de produto comercial de qualidade, popular sem ser popularesco, e talvez por isso tenha conseguido agradar tanto ao público quanto a crítica.

O Palhaço

Gênero: Drama e Comédia

Duração: 90 min.

Direção: Selton Mello

Roteiro: Selton Mello e Marcelo Vindicatto

Censura: 12 anos

Ano: 2010

Elenco

  • Álamo Facó
  • Bruna Chiradia
  • Cadu Fávero
  • Danton Mello
  • Emílio Orciollo Netto
  • Erom Cordeiro
  • Fabiana Karla
  • Ferrugem
  • Giselle Motta
  • Hossen Minussi
  • Jackson Antunes
  • Jorge Loredo
  • Larissa Manoela
  • Maíra Chasseraux
  • Moacyr Franco
  • Paulo José
  • Renato Macedo
  • Selton Mello
  • Teuda Bara
  • Thogun
  • Tonico Pereira
  • Tony Tonelada

 

4 Responses para “O Palhaço”

  1. Nome
    10/11/2012 at 21:06 #

    Vi esse filme com minha filha de 11 anos e gostamos muito.

    • Raquel Sá
      Raquel
      12/11/2012 at 22:19 #

      Acho que O Palhaço é um filme que ultrapassa gerações e conquista a todos mesmo.

      Abraços

  2. Nome
    30/10/2012 at 21:12 #

    Que bom! Então ocorreu uma transmissão de pensamento. Abraços

  3. LIa
    24/10/2012 at 09:52 #

    bingo! era isso mesmo q eu queria dizer sobre esse filme!