Raquel Sá

O Grande Hotel Budapeste

O Grande Hotel Budapeste é o oitavo filme de Wes Anderson. O autor de Os Excêntricos Tenenbaums e Moonrise Kingdom mostra maturidade em uma história envolvente que consegue agradar a todos os públicos. A narração é feita por um escritor (Jude Law, e mais tarde, Tom Wilkinson) que esteve no hotel já decadente, no ano de 1968, quando ouviu do próprio dono, o Sr. Moustafa (F. Murray Abraham), a forma rocambolesca de como adquiriu a propriedade.


Portanto, ocorre uma história dentro da história, quando voltamos ao mesmo ambiente, em 1932, e Moustafa era chamado de Zero (Tony Revolori), jovem assistente do elegante concierge Gustave (Ralph Fiennes). A trama propriamente dita começa quando ocorre um assassinato na alta sociedade local, e o gerente do hotel recebe um valioso quadro como herança da octogenária Madame D (Tilda Swinton), uma das clientes mais assíduas do local.

Mix de farsa e suspense, o longa-metragem faz uma homenagem às comédias ligeiras feitas por Hollywood no período em que o filme é ambientado, isto é, entre as duas grandes guerras mundiais. Com sabedoria e certa ironia, Anderson toca em temas polêmicos, como o surgimento do nazismo na Europa, mesmo que o Leste Europeu apresentado seja uma criação de sua imaginativa mente.

A trama é livremente inspirada no texto “Coração Impaciente”, do austríaco Stephan Zweig, que morreu nos anos 40 no Rio de Janeiro. Mas as características típicas dos filmes de Anderson estão lá: a excepcional direção de arte; os enquadramentos com imagens simétricas; os cenários grandiosos; o elenco numeroso (e estelar); e os personagens excêntricos que parecem pertencer a um mundo próprio.

Zero vira parceiro de aventuras de Gustave quando este, após ser citado na herança, vira alvo dos herdeiros da milionária e de um matador profissional. Apesar de ter grandes nomes passeando na tela, o grande destaque do filme é a atuação do veterano ator britânico Ralph Fiennes. Conhecido por interpretações sutis, ele surpreende ao revelar timing cômico para enfrentar as situações em que o seu personagem acaba se metendo.

O preciosismo estético e o tom de fábula da trama marcam presença, como sempre, mas desta vez a história completa o pacote. Não é só um deslumbre visual, é um filme bem feito, de narrativa ágil e agradável de ser visto, em todos os sentidos.

Nome Original: The Grand Budapest Hotel
Gênero: Drama
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Hugo Guinness, Wes Anderson
Elenco: Ralph Fiennes, Tony Revolori, Jude Law, F. Murray Abrahams, Saoirse Ronan, Adrien Brody, Willem Dafoe, Jeff Goldblum, Edward Norton, Tilda Swinton, Tom Wilkinson, Harvey Keitel, Mathieu Amalric, Bill Murray, Bob Balaban, Jason Schwartzman, Owen Wilson, Léa Seydoux, Carl Sprague, Florian Lukas, Gabriel Rush, Heike Hanold-Lynch, Karl Markovics, Matthias Matschke, Milton Welsh, Paul Schlase, Rainer Reiners.
Produção: Jeremy Dawson, Scott Rudin, Steven M. Rales, Wes Anderson
Fotografia: Robert D. Yeoman
Montador: Barney Pilling
Trilha Sonora: Alexandre Desplat
Duração: 100 min.
Classificação: 14 anos

2 Responses para “O Grande Hotel Budapeste”

  1. Raquel
    22/10/2014 at 20:22 #

    Concordo Carmen. O filme é divertido e agradável de ver (e rever).

    Abraços,

    Raquel

  2. Carmen
    31/08/2014 at 20:12 #

    Eu adorei o filme! Dá vontade de assistir novamente. Hilário, surpreendente e muito terno….
    Valeu, Raquel.

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