Raquel Sá

Mary e Max – uma amizade diferente


Mary e Max – Uma amizade diferente é uma animação peculiar, sobre a inusitada amizade entre a australiana Mary Daisy Dinkle, garota de oito anos curiosa em descobrir o mundo, e Max Jerry Horovitz, um nova-iorquino de 44 anos, que sofre de um mal conhecido como Síndrome de Asperger. A garotinha decide, aleatoriamente, escrever para um desconhecido do outro lado do planeta para ter com quem conversar, já que os seus pais são bem ausentes. A iniciativa acaba sendo bem recebida por Max e os dois iniciam uma correspondência, que passará por vários altos e baixos, ao longo de duas décadas, mas que será bem importante para ambos.

Apesar da diferença de idade e da distância entre eles, Mary e Max sentem falta de amigos, e tem um gosto comum por chocolate e um programa de televisão. Além dos vícios e da solidão em comum, o que os aproxima são os pensamentos filosóficos sobre a vida, que se diferenciam apenas pela faixa etária.

O filme marca a estreia do premiado diretor e roteirista Adam Elliot em longas- metragens. Antes, ele já havia ganho o Oscar de melhor curta de animação com Harvey Krumpet, em 2003. O australiano resolveu se arriscar e fez um trabalho voltado ao público adulto em formato “clayography”. Ou seja, uniu clay – termo utilizado para definir a plasticina, em inglês, que é um material moldável para fazer os bonequinhos em stop motion – e biography (biografia), pois trata-se de uma animação baseada em uma história real. Os personagens, entretanto, podem ser de massinha, de imagem caricata, mas são muito humanos em suas dúvidas e questionamentos.

Um dos pontos altos do filme é a direção de arte. A Austrália é mostrada em seus tons terrosos – o mundo visto por Mary é todo marrom, em contraste com o cinza que predomina em Nova York – Max vê tudo em preto e branco. Mas há detalhes no tom vermelho em adereços das casas dos personagens ou em partes do corpo humano, como lábios, por exemplo.

A trilha sonora instrumental se encaixa perfeitamente à história, que conta com as vozes dos consagrados atores Toni Colette e Philip Seymour Hoffman nos papéis principais, e a boa narração do australiano Barry Humphries.

O drama agridoce, com pitadas de humor negro, cativa o público e o deixa curioso com o desenrolar da trama, que toma rumos inesperados. Temas fortes como suicídio, adultério e alcoolismo são tratados com sensibilidade e delicadeza. Mesmo assim, a produção não é indicada para as crianças.

O filme pode ser considerado depressivo demais para os apreciadores dos desenhos animados da Pixar, mas é um excelente programa para quem gosta de produções diferentes, que unem diversão à reflexão. É muito difícil não se sensibilizar com os problemas que Mary e Max enfrentam com o passar dos anos e não se encantar com a bela amizade que se desenvolve entre eles.

Mary e Max – Uma amizade diferente
Direção: Adam Elliot
Roteiro: Adam Elliot
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Toni Collettem Barry Humphries, Eric Bana.
Produção: Bryce Menzies, Jonathan Page, Mark Gooder, Paul Hardart, Tom Hardart
Trilha Sonora: Dale Cornelius
Gênero: Animação
Duração: 92 min.
Ano: 2009

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