Raquel Sá

Mademoiselle Chambon

 

Ele é pedreiro, casado, e nunca saiu da pequena cidade onde vive. Ela é professora, culta e, a cada ano, muda-se para um novo lugar. Se fosse um produto hollywoodiano escorregaria nos clichês dos “opostos se atraem” mas, como Mademoiselle Chambon é francês, tudo é muito sutil.

O relacionamento entre duas pessoas de universos diferentes é marcado por longos momentos de silêncio e uma troca intensa de olhares. A paixão avassaladora que surge entre eles é percebida pela boa atuação do casal central, Vincent London e Sandrine Kiberlain, ex-marido e ex-mulher na vida real.

Além disso, há a forte presença da música clássica na trama. Véronique é musicista amadora e é por meio de seu hobby que irá se aproximar do pedreiro Jean, pai de um de seus alunos. Ambos são honestos e não muito bons com as palavras, porém deixam transparecer por gestos e olhares tudo o que estão sentindo.

A diretora e co-roteirista Stéphane Brizé recebeu um César de melhor roteiro adaptado por este filme, baseado no livro de Eric Holder. O argumento em si é simples e, desde o clássico romântico Desencanto, de David Lean, focar uma história na impossibilidade da concretização de um amor entre pessoas comprometidas não é nenhuma novidade. O diferencial de Mademoiselle é o tempero francês, a forma delicada de conduzir o enredo e a bela paisagem da província.

Os personagens ficam entre o medo de ceder ao desejo e lidar com as consequências ou continuar com a vidinha tranqüila de sempre; magoar a quem se ama, ferir e sair ferido ou abrir mão da coragem de encarar uma nova relação, mesmo que verdadeira. O principal dilema da história é saber se eles se entregarão à paixão ou não.
Jean é mostrado como um bom pai e marido, que hesita diante da possibilidade de ser feliz à custa da infelicidade dos mais próximos. Já a solitária professora passa a impressão de já ter sofrido dores de amores antigos e estar acostumada à vida nômade, mas o passado de sua personagem fica apenas subtendido, enquanto há ênfase às experiências vividas por ele.

As composições algo melancólicas do inglês Edward Elgar e do húngaro Franz von Vecsey são bem empregadas e dão força à narrativa. A condução serena da história, carregada de emoção, acaba tornando o público cúmplice do drama vivido pelo par central.

Mademoiselle Chambon (2009)
Direção: 
Stéphane Brizé
Roteiro: Stéphane Brizé e Florence Vignon (com base no livro de Eric Holder)

Trilha Sonora: Ange Ghinozzi
Edição: Anne Klotz

Elenco: Vincent Lindon, Sandrine Kiberlain, Aure Atika, Jean-Marc Thibault, Arthur Le Houérou, Bruno Lochet

GêneroDrama

Duração: 101 min

Postado em 17/9/2012

Classificação: Livre

 

 

 

 

 

2 Responses para “Mademoiselle Chambon”

  1. Raquel Sá
    Raquel
    30/10/2012 at 18:56 #

    Oi Lia, bom saber que você gostou do filme e do texto. Desencanto e um clássico de 1945, dirigido por David Lean e estrelado por Trevor Howard e Celia Jonhson. O par se conhece por acaso em um trem, fica amigo, se apaixona e vive dilema semelhante ao vivido pelo casal do filme francês. Abraços.

  2. LIa
    24/10/2012 at 09:45 #

    gostei muito desse texto, como já havia gostado muito desse filme! fiquei surpresa com a informação da relação entre os atores principais! é bom saber essas coisas… agora quero me lembrar do desencanto a q vc se refere. acho q assisti, mas não tenho certeza… vc pode contar um pouco desse filme pra gente? e um pedido: ponha tb o título original, tem pessoas (como eu…) com mania de se referir assim aos filmes, pois as traduções nem sempre…