Raquel Sá

Jane Eyre

 

Jane Eyre é estrelado por dois atores em ascensão em Hollywood, Mia Wasikowska, que foi a Alice no país das maravilhas, no filme de Tim Burton, e Michael Fassbender – sensação do ano passado por seu desempenho no drama independente Shame e na superprodução blockbuster X-Men – Primeira Classe. O filme é uma adaptação de um texto clássico com roupagem contemporânea e, por isso, se comunica bem com as platéias atuais.

 A trama começa no meio da história, quando Jane acaba de conhecer o jovem reverendo St. John Rivers (Jamie Bell) e suas irmãs, porém há flashbacks da infância de Jane, quando a garota estudou em um severo colégio para moças e sofreu nas mãos da tia (Sally Hawkins), sua guardiã após a morte de seus pais.

 Em seguida, Jane vai trabalhar como governanta na casa do misterioso Mr. Rochester e terá que reavaliar a sua forma de pensar e encarar a vida. Maria Buffini, a autora da adaptação, optou por recriar a dramática história de amor que surgirá entre os dois personagens com pitadas de suspense e tensão, de forma a atrair o espectador moderno.

 O diretor Cary Fukinaga escolheu uma atmosfera gótica para contar esta história, com fotografia em tons escuros e a iluminação à base de velas, em algumas cenas. O belo cenário campestre é mostrado com sobriedade e melancolia, de forma a enfatizar o isolamento dos que vivem naquele casarão, longe de tudo. Entretanto, quando começa o romance entre os personagens principais, o lugar ganha luminosidade, fica com um “ar primaveril”, como se os sentimentos do casal contaminassem o ambiente.

 O filme coloca valores como ética e moralidade em foco. Mia mostra pela postura corporal e entonações de voz as mudanças que Jane sofreu ao longo do tempo, e consegue transmitir, só pelo olhar, a raiva, o rancor e a admiração que a personagem sente por Edward Rochester, em momentos diferentes. Já Fassbender pode ser acusado de ser jovem e “bonito demais” para o papel, mas ele convence como um homem amargurado que esconde segredos e se descobre atraído pela pureza e franqueza de Jane. E, o mais importante: o ator tem química com Mia, fator crucial para convencer o público em uma história de amor.

 Além deste acerto, o filme conta com música tocante, direção de arte e figurinos adequados e um elenco de apoio formado por representantes da melhor linhagem britânica de interpretação. Há também uma crítica à sociedade da época (Era Vitoriana), inclusive à forma de tratamento diferenciada com os empregados da casa, divididos por categorias. Por exemplo, Mrs. Fairfax, vivida por Judi Dench, está uma posição abaixo da adolescente Jane, contratada para ensinar os bons modos da aristocracia inglesa à pequena francesa Adèle, protegida de Edward Rochester.

 Jane Eyre foi escrito em 1847por Charlotte Brontë (irmã das também famosas escritoras Emily e Anne) e já teve diversas adaptações para o cinema e televisão. Esta versãomostra que uma história bem contada, mesmo que seja um romance épico, nos moldes antigos, encontra sempre o seu público.

 Diretor: Cary Fukunaga

Elenco: Mia Wasikowska, Michael Fassbender, Jamie Bell, Judi Dench, Sally Hawkins, Su Elliot, Holliday Grainger, Tamzin Merchant, Amelia Clarkson, Craig Roberts, Lizzie Hopley, Jayne Wisener, Freya Wilson, Emily Haigh.

Produção: Alison Owen, Paul Trijbits, Faye Ward, Mairi Bett

Roteiro: Moira Buffini

Fotografia: Adriano Goldman

Trilha Sonora: Dario Marianelli

Duração: 120 min.

Ano: 2011

País: Reino Unido/ EUA

Gênero: Drama

Cor: Colorido

Estúdio: Focus Features / BBC Films / Ruby Films

 

4 Responses para “Jane Eyre”

  1. Inês
    04/11/2012 at 20:46 #

    Raquel,
    Gostei muito do seu texto e achei uma ótima dica, por isso, vou conferir a fita. Valeu!

    • Raquel Sá
      Raquel
      12/11/2012 at 22:17 #

      Oi Inês,

      Que bom que gostou do texto. Espero que goste do filme também.

      Beijos

  2. Raquel Sá
    Raquel
    30/10/2012 at 18:36 #

    Oi tia, gostei mais desta versão do que a dos anos 90, com William Hurt e a atriz/ cantora Charlotte Gainsbourg no papel principal, mas, por enquanto, foram as únicas que vi. Vou procurar as mais antigas depois. Beijos

  3. Cléa Sá
    Cléa Sá
    27/10/2012 at 09:58 #

    Raquel, não perco uma versão de Jane Eyre e vi essa da qual você fala. Só que lendo, agora, descubro que não vi tudo que devia ter visto. Você me mostrou aspectos novos. Vou alugar a fita e ver de novo. Sua coluna está ótima!
    Cléa