Cléa Sá

O filho de mil homens

Caros companheiros de leitura

Ontem, dia 29, estivemos reunidos para discutir o livro “O filho de mil homens”, de Valter Hugo Mãe e tivemos mais uma das nossas noites memoráveis. Estávamos Andrés, Bete, Ceissa, Cléa, Inês, Virgínia e Zita e embora não fôssemos muitos – a chuva forte pode ter afastado alguns, – a conversa correu de maneira harmoniosa e criativa. Dos ausentes falo que Carmen, Noé e Tadeu estão doentes, que Josenita e Roberto estão em Buenos Aires, Gláucia em Minas Gerais e não sei notícia dos demais. Cadê você, Vilmar? Cadê você Nilma? Cadê você, Helô? Cadê todo mundo?

Bem, agora vou tentar reproduzir a nossa conversa e se não for completa a minha descrição da noite, os caros colegas podem e devem acrescentar o que julgarem necessário. De saída, explico que minha ligação para o Obama hoje estava um pouco ruim e assim não escutei todas as informações que ele queria me passar.

Bem, vamos ao principal: Todos nós amamos o livro que foi considerado lindamente escrito, poético mesmo. Os personagens vivem em uma pequena aldeia nos confins de Portugal e são pescadores, pequenos proprietários e lavradores, mas de uma grandeza inigualável. O que se destaca no livro é a compaixão com que todos são tratados: não há juízo de valor e todos, bons e maus, são mostrados na riqueza de suas personalidades, sem nenhum traço de busca do “politicamente correto”, sem eufemismos: a anã é anã, o homossexual é homossexual, a mãe, Matilde, ora rejeita o filho, ora o aceita, homens são aproveitadores, e Crisóstomo, que significa “boca de ouro”, figura maior, um homem pela metade que deseja e consegue se tornar inteiro, inicia um círculo virtuoso e é o condutor da história. Conceitos tradicionais como paternidade biológica e homossexualismo são derrubados. As relações que se travam no livro têm por base a honestidade e assim os pactos são feitos. Com isso, apesar dos percalços, todos ficam felizes e a história nos anima, nos alegra e nos ensina lições de vida do modo que só um grande poeta pode ensinar. O livro tem ainda um tantinho de realismo mágico, que não prejudica, dá um encanto surreal. A linguagem usada, segundo quem entende, é a falada em uma aldeia portuguesa, daí aparecerem termos não conhecidos no nosso repertório.

Como um assunto puxa outro, falamos também de psicanálise, psicoterapia, significados do egoísmo, conceito de culpa, autoconhecimento, Maquiavel e o Príncipe, Jesus e o Evangelho, e por aí afora. Alguns trechos destacados foram lidos sempre com agrado de todos e a conclusão foi unânime: o livro é bom. Quem não leu ainda não pode deixar de ler, é o que recomendamos.

Claro que enquanto essa conversa fluía, tomávamos o nosso vinhozinho do Porto. Depois passamos à mesa do café que tinha só coisa boa. Passo agora às nossas leituras:

O filho de mil mães, foi lido por todos, menos por Zita, que, por sinal, estava morrendo de inveja ao ouvir os comentários.

Andrés – O diário da queda, Michel Laub, O imobilismo em movimento, Marcos Nobre;

Bete – A reprodução, Bernardos Carvalho;

Ceissa – Livros de estudo, Don Quijote de la Mancha, Cervantes, Rio das Flores, Miguel Sousa Tavares;

Cléa – Felicidade demais, Alice Munro;

Virgínia – Herzog, Saul Bellow, Rompendo o silêncio, Alice Walker, O mal de Montana, Vila-Matas;

Zita – As viúvas das quintas-feiras, Cláudia Piñero, El tiempo entre costuras, Maria Dueña.

Para o próximo mês foram indicados: Dentro de ti ver o mar, Inês Pedrosa, 1 voto; Eles eram muitos cavalos, Luiz Ruffato, 2 votos; A caixa, de Gunter Grass, 2 votos; e Felicidade demais, de Alice Munro, 1 voto. Empatados, passamos ao sorteio. Rose tirou A caixa de Gunter Grass. Explico o número de votos: a Inês saiu mais cedo e não participou da votação.

A reunião será no dia 27 de novembro, última quarta-feira do mês, e depois de discutido o livro, faremos uma festinha para encerramento das atividades do ano. Pensamos em trazer presentinhos de Natal. O que acham?

Abraços carinhosos

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