Cléa Sá

O apanhador no campo de centeio

Pelo que aconteceu ontem à noite, O apanhador no campo de centeio nos pegou de jeito. Parece que todos nós gostamos do jovem Holden Caulfield, apesar de sua quase loucura.  Mas vou voltar e começar de novo para não perder o foco. Nada de digressões. Bem, estávamos Andrés, Bete, Carmem, Nilma, Noé, Vera, Virgínia, Zita e eu e mais a Marisa, que nos alegrou com sua presença, trazida que foi pela Carmem. Começamos com o nosso vinhozinho do Porto e continuamos com um vinho delicioso que Andrés trouxe para partilhar conosco e uns salgadinhos da Zita. Parece que ontem estávamos particularmente famintos.  Bem, vamos ao que foi discutido. Começou com um insight do Andrés sobre a semelhança do estilo do autor com os filmes do Woody Allen. Concordamos, não foi? Aliás, o livro foi sugerido pelo Vilmar em razão de uma lista dos melhores livros para o citado diretor. Por sinal, Machado de Assis, com Memórias Póstumas de Brás Cubas, figura na lista. Bem, muitas observações interessantes e talvez eu não consiga ser fiel a quem disse o quê. Mas vamos lá. Bete trouxe uma interessante contribuição sobre o poema de Burns que inspira a canção que permeia toda a história do “apanhador”, Carmem trouxe uma lembrança de infância e fez uma associação bem interessante, mas que não consigo repassar para vocês. Aliás, Carmem sugeriu que esse relato fosse feito por muitas vozes, no que concordo. Quem sabe, por exemplo, Carmem conta a sua lembrança e a associação que fez? Bem, Noé nos embatucou quando citando um trecho em que o jovem Holden fala da impossibilidade de entender as meninas em questões de sexo (lembram, parar ou não parar?) estabeleceu a comparação com a falsidade das relações pessoais de todos nós. É outra coisa que Noé, se quisesse, poderia escrever melhor. Essa eu achei ótima. As qualidades literárias do autor foram bem detalhadas por Vera e também sobre o fato de o livro ter ficado cult. E mais: certa semelhança com o filme Juventude Transviada, as questões tão prementes dos patos e dos peixes, os personagens não eram personagens e sim gente de carne e osso, tão bem construídos que foram, a profunda solidão do jovem e sua constante depressão e tristeza, luto pelo irmão, medo de crescer, mitômano, confuso, em surto? As nossas especialistas Josenita e Ceissa nos fizeram falta. Eu, particularmente, apesar de já entrada em tantos anos, não me perguntem quantos que não digo, me identifiquei com aquele adolescente. Senti em outros de nós ataques de holdenite, e no final da discussão, coroando tudo, a Virgínia leu o final do livro, que é, certamente, um dos melhores e mais belo finais de livros dos muitos que todos lemos. Muitas outras contribuições valiosas deixaram de ser citadas aqui, pois esta escrevinhadora fica tão interessada no papo que não anota. Céline foi citado em sua Viagem ao fim da noite e foi chamado de antissemita,  Marisa entrou na história dos patos e Andrés nos peixes. Eu não sei quem é Céline e daí, volto à sugestão da Carmem. Quem quiser escrever mais, tornar as coisas mais claras, por que não?  Bem, passamos ao nosso café. Gente! tinha tanta coisa que nem dá para contar. Tudo extremamente saboroso. E vamos às nossas leituras: Marisa leu e gostou muito de “A menina que roubava livros”; depois ela manda o nome do autor; Zita está lendo uma coletânea de contos de autores colombianos, Cuentos de La calle; Andrés, As nuvens; Carmem, está lendo Freud, O futuro de uma ilusão; Bete, As histórias falsas, de Gonçalo M. Tavares; Clea, 1808, do Laurentino Gomes, A mulher de vermelho e branco, do Contardo Caligaris e um pouco de Os prazeres e os dias, de Marcel Proust; Vera terminou  Belos e Malditos, de Scott Fitzgerald e está ainda lendo Instruções para salvar o mundo, da Rosa Montero e ainda Os anos de aprendizado de Wilhem Meister (será que está certo, Vera ?) de Goethe; Noé está lendo, para nossa surpresa, só um livro, Histórias íntimas, de Mary Del Priori; Virgínia, terminou As naus, de Lobo Antunes, Sombrias ruínas da alma, de Raimundo Carrero e está envolvida com O remorso de Baltazar Serapião, de valter hugo mãe (parece que é assim mesmo, com letra minúscula) e Nilma está lendo Traduzindo Hanna, de Manoel Wrobel e Amor sem fim, de J.M. Coetzee. Está bom? Esse povo é demais! E vamos ao livro para julho, que será discutido na primeira semana de agosto, conforme combinado em função da viagem de alguns ilustres companheiros. Embora já tenha sido acertado que teremos duas reuniões em agosto. Preparem-se, pois. Os livros indicados foram: Memorial do convento, de José Saramgo, Dublinescas, de Enrique VilaMata e Leite derramado, do Chico Buarque. Saramago teve 4 votos, Vila Mata, 4, Chico 1. No segundo turno, ganhou Dublinescas.

Viram como tentei não baixar o nível pós-Luisinha? Bem, sentimos muita falta de nossos queridos ausentes. E desta vez não esqueci de tirar fotos. Aguardem.

O apanhador no campo de centeio, de J.D.Salinger. Reunião realizada em 30 de junho de 2011

 

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