Cléa Sá

Eles eram muitos cavalos

19/02/2014

Eles eram muitos cavalos – Luiz Ruffato

O nosso Na rede retornou em grande estilo. Em nossa primeira reunião estávamos felizes por nos reencontrarmos, éramos muitos, conversamos, discutimos o livro, e… Vamos por partes.

Presentes Andrés, Bete, Carmen, Ceissa, Cléa, Inês, Josenita, Luisinha, Noé, Regina, Roberto, Tadeu, Vilmar, Virgínia e Zita. Estávamos alegres, conversamos um pouco e passamos depois a falar do livro do Ruffato. E como se falou. Análises diversas. O livro, considerado muito bem escrito, mostra a realidade do povo paulista, embora o seu tema seja comum a todas as grandes cidades. Mas para alguns é especificamente a visão da cidade de São Paulo. Outras afirmações: um grande painel, manada, fotografias instantâneas do povo, histórias dos anônimos que fizeram a cidade e são por ela triturados como se estivessem em um grande liquidificador. A imagem do liquidificador, forte, impregnou o imaginário de todos, chegando um de nós a se sentir também dentro do aparelho vendo passar aquelas figuras sofredoras. Para uns não há sentimento de individualidade, não há personagens, e a vida é mostrada como se não houvesse nenhuma possibilidade de alegria. Para outros, não. A escrita do autor foi examinada e mostrada em seus vários aspectos: Socorro! Bete me acuda! Não consigo reproduzir. Apenas que o autor altera sua maneira de escrever conforme as histórias que conta, que embora não de forma explícita está representado no livro o fenômeno da mudança da sociedade rural para a urbana e a busca infrutífera por uma vida melhor. E o autor escreve muito, muito bem. Escreve tão bem e mostra a realidade tão cruamente que alguns não conseguiram ler todo o livro por já estarem tristes e não quererem ficar mais tristes ainda e outros por estarem alegres e não quisessem se entristecer. A nossa doutora. Cecília Meireles e o seu poema Eles eram muitos cavalos, do Romanceiro da Inconfidência, foi lembrada e agradecemos a Virgínia por nos tê-lo trazido. Também comparações com Dostoievski foram feitas, mas não totalmente aceitas. E segundo alguns, é impossível estabelecer tal comparação, dada a diferença de propósito dos autores, de épocas, de estilo. Mas só poder ser comparado a Dostoievski já é um grande feito. Algumas perguntas ainda ficaram no ar: É possível viver sem esperança? E sem possibilidade de redenção? Não há compaixão? Ou a compaixão é tanta que se revela no relato cru que nos incomoda? E por que ficamos tão incomodados com a leitura?
Muito mais foi dito e este relato está aberto a novas contribuições. Alguns trechos foram lidos para exemplificar pontos de vista e no final concordamos todos que Ruffato é um grande escritor. Segundo Noé, o melhor da atual geração de escritores brasileiros.

A discussão embora séria foi permeada por muita coisa engraçada, muitas brincadeiras ( vide o padre que mora na alma de alguém) e o melhor, constatamos que em uma época de pouco diálogo e de muito radicalismo, nosso grupo está aberto a diferentes posições e que todos podemos externar nossas opiniões sem medo. Na verdade, somos DEMAIS!

Passamos depois à nossa mesa de café e tinha muita coisa boa para saborearmos. O que fizemos com gosto.

E agora passo a relatar as nossas leituras:

Andrés – A imagem – Movimento, Cinema, de Giles Deleuze, Perversos, amantes e outros trágicos, Eliane Robert Moraes, Contos reunidos, Nabokov e Apocalipse dos trabalhadores, Valter Hugo Mãe;

Bete – Os exploradores do abismo, de Vila-Matas;

Carmen – Novelas, Luigi Pirandello, Crônicas da pedra, Ismail Kadaré, Mas não se matam cavalos? Horace McCoy (Faltou um, desculpa, Carmen. Acrescente, por favor);

Ceissa – Crime e castigo, Dostoievski, felicidade demais, Alice Munro, O apocalipse dos trabalhadores, Valter Hugo Mãe, Quero minha mãe, Adélia Prado, A riqueza do mundo, Lia Luft, Palavras de Saramago;

Cléa – Os irmãos Karamazóv, Doistoievski, Festa no covil, Juan Pablo Villalobos, Uma questão pessoal, Kenzaburo Oe,Maigret hesita, Simenon e O homem que amava os cachorros, Leonardo Padura;

Inês – precisa mandar por e-mail;

Josenita – A artista do corpo, Don DeLillo;

Luisa – Vozes anoitecidas, Mia Couto, Os transparentes, Ondjaki, Depoimentos sobre Guimarães Rosa e sua obra, Coração, De Amicis, Trovas, Martim Codax;

Noé – Fahrenheit 451, Ray Bradbury, O som da montanha, Kawabata, A casa das belas adormecidas, Kawabata, Os exploradores do abismo, Vila-Matas, Balada do café triste, Carson Mccullers. (Também faltou um, Noé, alguma coisa sobre beleza e dor);

Regina – A máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe;

Roberto – Anatomia da influência , de Harold Bloom, Em defesa de Deus, Karen Armstrong, 1889, Laudelino Gomes;

Tadeu – Boneco de neve, Jo Nesbo, O segredo dos flamengos, Federico Andahasi, A conspiração, Clive Cussler, O drible, Sergio Rodrigues, O dom do crime, Marco Luchesi, O ganso marisco e outros papos de cozinha, Breno Lerner;

Vilmar – Jardim de inverno, Kristen Hannah, Uma boa ação, Kevin Alan Milne, Criança desaparecida, Patricia MacDonald, Escândalo em Marselha, Peter Mayle,

Virgínia – Cemitério de pianos, José Luiz Peixoto, Se vivêssemos em um lugar normal, Juan Pablo Villalobos, A partitura do adeus, Pascale Mercier, Madrugada suja, Miguel Souza Tavares, A vida dos animais, J. M. Coetzee, Elizabeth Costello, J.M. Coetzee, 1Q84, Murakami;

Zita- O amor de uma boa mulher, Alice Munro, O império você, Javier Moro.

Que lista!
Bem, passamos depois disso para a escolha do livro a ser lido e discutido no próximo mês. Três indicados e votados:

O som da montanha – Kawabata – 7 votos

Noturno indiano- Antonio Tabucchi – 3 votos

Noites brancas – Dostoievski – 5 votos

Todos votaram. Até os ausentes. Mas não foi fraude: Carmen e Luisa foram dignamente representadas por Inês e Virgínia.

Assim, encerro este relato. A próxima reunião será na última quarta-feira de março, dia 26.

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