Cléa Sá

Serena

Caros companheiros de leitura:

Éramos poucos, porém bons, modéstias a parte. Presentes: Luisinha (muito bom tê-la de novo), Nilma, Tadeu, Andrés, Roberto, Vilmar, Virgínia, Cléa e Inês.  Os ausentes, devidamente justificados por sólidas razões (Ceissa, cadê você?), nos fizeram muita falta.  Como sempre, começamos devagarzinho tomando vinho do Porto, comendo pão de queijo e conversando amenidades. Depois passamos a falar de Serena, o livro de IanMcEwan que, surpreendentemente, não causou nenhuma celeuma, não ensejou nenhum contraditório. Ainda agora estou me perguntando o motivo e não sei explicar. É um livro cheio de artimanhas: contêm contos muito bons, referências a autores vivos e mortos e faz afirmações arriscadas sobre autores que são ícones de uma geração, George Orwell, digo logo o nome (na qual não acredito nem um pouco) e deixa em aberto quem é o verdadeiro autor do livro, num suspense genial. Entretenimento para alguns, melhor livro lido até agora por outro, concordamos todos que é muito bem escrito: descreve com exatidão as dificuldades vividas pela Grã Bretanha na época pré-Thatcher, zomba do Serviço Secreto inglês mostrando o seu despreparo e sua dependência dos americanos, ironia que é uma constante, me parece, nos escritores ingleses, vide Graham Greene e “Nosso Homem em Havana”. A utilização dos escritores pelo Governo para atingir fins propagandísticos, talvez o norte real do livro, não causou nenhuma surpresa, pois todos nós consideramos que é o que realmente ocorre e não só na Inglaterra e não só pelos governos.  Quanto à Serena, típica representante de sua época e classe, todos a vimos como bonita e inteligente e embora pareça estar sempre sendo usada pelos homens da sua vida, na verdade é e não é; ela também aproveita muito bem os seus dotes para atingir os seus fins, que são ler, transar, beber, transar, beber, ler, transar… (Exagerei?) É a mulher que está despontando e se afirmando, o começo do feminismo, segundo alguns. Por este ligeiro relato vocês podem observar a serenidade com que transcorreu a reunião.

Passamos depois à mesa de café e enquanto saboreávamos uma pizza, conversamos das nossas leituras:

Luisinha : Os passos perdidos, Alejo Carpentier, O duplo, Dostoievski, Luto e melancolia, Freud, Os Malaquias, Andrea Del Fuego, Serena;

Nilma: Serena, Ian McEwan, Nuvens Azuis, Joan Didion,  Amor e Superação – Luiz Alberto Py;

Tadeu: A visita cruel do tempo, Jennifer Egan, Uma confraria de tolos, John Kennedy Tooler, O resto é silêncio, Augusto Monterosso;

Andrés: Inconsciente e responsabilidade, de Jorge Forbes, Membranas de luz, Patrícia Gouveia;

Roberto: Elegia de Duíno, Rainer Maria Rilke, A queda, Diogo Mainardi;

Vilmar: A sombra da dúvida, Patrícia MacDonald, A cidade que se apaixonou, Ronda Rich, Três dias em Nova York, Margaret Maron, A última nota, Kevin Alan Milne;

Virgínia: Festa no covil, Juan Pablo Vila Lobos (acho que não anotei o outro livro, Virgínia. Perdão!)

Inês: Serena.

Cléa: O último livro, Zoran Zivkocic, A dança dos dragões, George Martin.

Sobre o livro para a próxima reunião, a ser realizada no dia 26 de setembro, está em aberto em razão das explicações do Tadeu. Vamos escolher por e-mail.

 

 

 

 

 

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