Regina Motta

Tomie Ohtake – a dama das artes brasileiras

TOMIE OHTAKE nasceu em Kioto, Japão, em 21 de novembro de 1913, portanto está próxima das comemorações de seus 100 anos de vida.

TOMIE teve a infância de uma menina de classe média na cidade cosmopolita que foi capital do Japão. Era a caçula e única menina entre quatro irmãos. Tinha muita afinidade com sua mãe Kimi com quem aprendeu muito. Na cultura oriental e naquela época, as meninas tinham uma educação rica.  Aprendiam artes femininas como tocar piano, cozinhar, servir o chá e praticar esportes. TOMIE preferia o desenho, o vôlei e a natação. Esta última atividade esportiva ela conservou por toda a vida, praticando-a diariamente.

Aos 23 anos de idade, em 1936, veio ao Brasil em companhia de um irmão visitar o mais velho Masutaro, que já havia migrado para o nosso país e vivia em São Paulo. Um incidente internacional, a guerra do Japão com a China, impediu que os irmãos retornassem à sua pátria. Foi um enorme transtorno e preocupação para toda a família. TOMIE conheceu em São Paulo, Ushio Ohtake, um amigo de seu irmão. Casou-se, teve dois filhos, Ruy e Ricardo, permanecendo no Brasil.

Aos 40 anos, visitou sua terra para rever sua família. No retorno ao Brasil, passou pela Europa, conhecendo os grandes Museus e grandes mestres. Ao chegar aqui, estava decidida: seria pintora.

Iniciou sua carreira artística e fez sua primeira individual, no MASP- Museu de Arte de São Paulo, com enorme sucesso, em 1957.

Naturalizou-se brasileira em 1960.

Tudo aconteceu como numa lenda oriental. Cada ato trazia mais um sucesso que era desenvolvido e apreciado pela crítica nacional e internacional, num eterno recriar.

TOMIE é pintora, gravadora, escultora e muralista.

Participou de cinco Bienais de São Paulo, conquistou 28 prêmios, realizou cerca de 50 exposições individuais e 85 exposições coletivas, no Brasil e no exterior.

Participou da Bienal de Gravura em Toquio (1978) e da Sala Gaffica d´Oggi na Bienal de Veneza (1972).

A primeira retrospectiva, em 1983, quando completou 70 anos, atraiu ao MASP cerca de 4.000 pessoas, feito até hoje inigualado.

No início de sua carreira artística, anos 60, em trabalho experimental, produziu obras que eram pintadas com os olhos vendados. São as “pinturas cegas” que só vieram a público em 1997. Ali TOMIE pintava sua alma, seus desejos, sua vida.

TOMIE mantém uma rotina de dedicação e disciplina na produção de sua arte.

 A obra de TOMIE pode ser apreciada em Museus e Galerias de Arte. Porém os paulistas tem o privilégio de conviver com a obra de TOMIE nos espaços públicos da cidade. E são inúmeras, enormes e magníficas. Nas estações do metrô, em praça pública, nos canteiros centrais das avenidas, nas empenas de grandes edifícios. Quando em São Paulo, preparem um circuito para melhor apreciarem essas obras. Brasília e Rio de Janeiro também receberam obras de TOMIE.

Devido à relevância de sua arte recebeu a merecida homenagem em 2001, com a criação do  INSTITUTO TOMIE OHTAKE, um centro cultural com exposições permanentes, programação de seminários, cursos e oficinas de arte.

“A obra de TOMIE OHTAKE, como trajetória íntegra e integral, tem enfrentado o desafio de construir um tempo reconciliado entre a sabedoria de uma tradição e a experiência visual do sujeito moderno – Sua obra parece buscar um novo olhar hai-cai perdido”.

Paulo Herkenhoff, curador do MOMA- Museum of Modern Art – NY(2002).

REFERÊNCIAS:

O texto sobre a vida pessoal de TOMIE OHTAKE foi baseado nos depoimentos da artista à Ana Miranda, em 2006.

INSTITUTO TOMIE OHTAKE- Avenida Faria Lima 201, SP/SP.

TOMIE OHTAKE- Casimiro Xavier de Mendonça. Prefácio de P.M. Bardi

-Ed Ex-Libris, 1983, SP/SP.

TOMIE: CEREJEIRAS NA NOITE- Ana Miranda- Coleção Memória e História .

Ed. Companhia das Letrinhas, 2006, SP/SP.

Fotos- Internet

 

 

 

 

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