Regina Motta

RIO DE JANEIRO VISTO POR DEBRET


Jean-Baptiste DEBRET nasceu em Paris em 18 de abril de 1768. Formou-se na Academia de Belas Artes de Paris. Artista conhecido e respeitado em sua terra natal e na Europa em geral, foi convidado por D. João VI para integrar a Missão Artística Francesa ao Brasil.
Aos 48 anos, desiludido com a política de Napoleão e sofrido com a morte de seu filho, Debret desembarcou no Brasil em 1816. A Missão Francesa liderada por J. Lebreton era composta pelo pintor J.B Debret, o arquiteto C.Simon Pradier, o paisagista A. de Taunay e seu irmão o escultor Auguste Taunay.


Como pintor oficial da Corte Imperial, Debret se sobressaiu com grandes telas como retrato de D. João VI em tamanho natural e a da Coroação de D. Pedro I que podem ser apreciadas no Museu Imperial em Petrópolis, RJ.


No período de quinze anos em que permaneceu no Brasil o artista retratou cenas da Família Imperial, momentos de caça e pesca indígena, paisagens usos e costumes do Rio de Janeiro.

Lecionou na Academia Imperial de Belas Artes no Rio de Janeiro.

Porém, como artista sensível com foco na vida do povo brasileiro, tornou-se um documentarista, com suas aquarelas de colorido impecável e fiel, da verdadeira alma do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XIX. Retratou o movimento das ruas e praças da cidade, da Praça do Paço Imperial, do Largo dos Arcos.


Suas figuras mostravam com crueza o sofrimento dos escravos desde a chegada ao Porto do Rio de Janeiro, suas miseráveis condições nos “depósitos” à espera de novos senhores, o tratamento dado pelos senhores às mulheres e crianças em suas casas.

Mostrou a família ornamentada e em fileiras para a Missa de Domingo; as senhoras atrás das treliças de suas janelas comprando doces e biscoitos das negras nas ruas; os vendedores ambulantes com seus enormes cestos equilibrados sobre suas cabeças, com galinhas, frutas e legumes; as crianças correndo pelas ruas; o carnaval no Rio de Janeiro quando os negros pintavam suas faces com farinha e jogavam laranjas de cera com água perfumada nos transeuntes.


Com sensibilidade e enfoque historiográfico e cultural Debret foi sem dúvida o primeiro a documentar a Família Imperial e o povo brasileiro seus usos e costumes em especial no Rio de Janeiro.

Debret voltou à França em 1831 e publicou, entre 1834 e 1839, em três volumes, a série de gravuras produzidas no Rio de Janeiro sob o Título “Voyage Pitoresque et Historique au Brésil” ou Sejour d´un Paintre Français au Brésil. (Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil ou Estada de um Pintor Francês no Brasil).

Esta coleção foi editada no Brasil por Raymundo Ottoni de Castro Maya, em 1954.

O artista faleceu em Paris em 28 de junho de 1849, aos 80 anos.

Não podemos falar da obra de Debret sem citar o seu maior colecionador. A grande obra de Debret ficou perdida por muitos anos e foi redescoberta no início dos anos 90. Graças a um empresário de grande visão comercial, industrial e precursor da proteção ecológica do ambiente, colecionador de arte, bibliógrafo, editor, Raymundo Ottoni de Castro Maya, o acervo das aquarelas de Jean-Baptiste DEBRET é preservado em dois Museus: o “Museu Chácara do Céu”, em Santa Teresa/RJ e o “Museu do Açude”, no Alto da Boa Vista/RJ. Funcionado me antigas residências de seu criador, são mantidos pela Fundação criada em 1963: Fundação Raymundo Castro Maya.

O Museu Nacional dos Correios em Brasília mostra, até 25 de outubro, uma coleção de 120 aquarelas do artista.

REFERÊNCIAS:
-EXPOSIÇÃO “Rio de Janeiro de Debret”- Museu nacional dos Correios- Bsb/DF;
-COLEÇÃO Raymundo Castro Maya, Rio de Janeiro;
-HISTÓRIA GERAL DA ARTE NO BRASIL- VOL I- Walter Zanini- Inst. Walter Moreira Salles/Fundação Djalma Guimarães-1983.
Fotos: Internet
Brasília, 4 de outubro de 2015.

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