Regina Motta

RENASCIMENTO ITALIANO


A exposição MESTRES DO RENASCIMENTO, que está no Brasil com estrondoso e merecido sucesso de público, é composta de 57 obras de artistas italianos dos séculos XIV ao XVI, provenientes de coleções públicas e privadas. Foi montada em seis núcleos geograficamente definidos: Milão, terra de Leonardo da Vinci, que era mais extensa, Veneza, Florença, onde se encontraram os maiores artistas da época, Roma, Ferrara e Urbino.


Entre os artistas destacamos Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio, Paolo Veronese, Ticiano, Mantegna, Giovanni Bellini, Michelangelo, Il Perugino, Sandro Botticelli, Tintoreto e outros.
Em todas as obras as cores são harmoniosas e vibrantes além de impecável composição e desenho.
Ao visitar a mostra o espectador não pode deixar de se surpreender com o esplêndido colorido das obras. No entanto, no seu deslumbramento, vai se perguntar: – Como os artistas naquela época, entre 1350 e 1650, conseguiam aquelas cores e, mais ainda, como foram preservadas em toda a sua beleza por quase seis séculos?
Trataremos aqui somente da composição da alquimia que se chama cor.
As tintas naquela época eram produzidas artesanalmente pelo artista e seus assistentes. Era tão importante o conhecimento da técnica da produção das tintas que o artista só adentrava no mundo da pintura e do desenho após o completo domínio do material e suas misturas.
As tintas eram compostas de pigmentos e os solventes aglutinantes que eram misturados cuidadosamente, nas proporções adequadas.. Os pigmentos davam a cor e os solventes aglutinantes davam a textura cremosa às tintas e “colavam” a pasta nos suportes- telas ou madeiras. A obra era protegida por verniz, inventado pelos irmãos Van Eyck.
Os pigmentos eram matérias minerais ou orgânicas finamente moídas.
Cada cor era produzida por determinado pigmento.
Os azuis eram os mais caros. O azul ultramarino, caríssimo e raro, era produzido a partir do mineral lápis-lázuli que só era encontrado nas minas do atual Afeganistão. Era destinado principalmente à coloração do manto da Virgem.
Azuis mais baratos produzidos com óxido de cobalto eram destinados ao céu ou lagos.
O índigo era original de um inseto, a conchinilla, usado principalmente nos mantos.
O azurite produzia um azul arroxeado ou levemente esverdeado que não era usado no céu, mas nos mantos ou como cores básicas de outras figuras.
O amarelo a partir do chumbo e do estanho e algumas vezes do cobre que com o tempo oxidava e se tornava ocre.
As cores ”terra”, conhecidas como Siena, tinham gradações desde a natural, umbras, sombras e as ocres. Quando queimadas -cotas- escureciam e a cor era enriquecida. Eram obtidas a partir das hematitas ou das próprias terras e do café torrado.
O dourado era obtido com folhas de ouro coladas sobre a superfície do suporte, ainda úmida. Usavam ainda o ouro em pó para detalhes menores. Algumas vezes utilizavam folhas de prata, menos nobres.
O vermelho, no entanto, era a estrela do Renascimento. Embora já tivesse sido utilizado pelos chineses e pelos gregos antigos, foi nos séculos XIV a XVII que foram largamente utilizados. Vemos na mostra em questão, principalmente dois tons diferentes utilizados nas obras italianas. O vermelhão, obtido do cinábrio, minério do mercúrio grandemente utilizado nos mantos nobres, cortinados e almofadas. O vermelho, utilizado principalmente pelos artistas de Veneza, era procedente originariamente da China, trazido ao ocidente pelos árabes. Era composto de sangue do inseto “Kerria lacca” e produzia as cores conhecidas como laca indiana, laca de garança, sangue de dragão. Sua característica é a cor vibrante e luminosa.
A belíssima combinação dessas cores, os desenhos precisos, a técnica pictórica impecável, tornam a exposição imperdível e inesquecível!!!

REFERÊNCIAS:
Grande Enciclopédia da Arte- Civilização Editores ltda.
Emanuel ferreira, Alhambra, Lisboa, Portugal.
Arte e talento- Ellen Policiari
Site do CCBB.
Fotos : internet

2 Responses para “RENASCIMENTO ITALIANO”

  1. josenita
    27/11/2013 at 18:40 #

    Regina,

    gostei mais ainda da exposição depois que li sua apreciação sobre ela.

    Ótima!
    Bj, Josenita.

  2. Lindo!!Como canta!!!
    11/11/2013 at 21:08 #

    Hoje, tudo é bem mais fácil. Talvez por isso, os artistas não se aprimoram tanto e ficam fazendo instalações.