Regina Motta

O Colecionador

 

O Colecionador

Bichinhos de pelúcia, carrinhos miniaturas, álbum de figurinhas, selos, adesivos, bonecas. Desde crianças colecionamos coisas que nos encantam. Adultos, colecionamos carros, relógios, bonés, xícaras de café, antiguidades, artesanato e objetos de arte. Uns juntam jornais, caixas vazias, latas vazias, sacolas, rolos de barbante, papéis de embrulho. Outros colecionam. A diferença está no que os objetos representam para nós. Colecionando, nós definimos, selecionamos, classificamos.

O Colecionador é o observador direcionado ao que o atrai, ao que lhe dá prazer.

Recentemente, um incêndio destruiu parte do acervo de um famoso colecionador carioca. Ele guardava as obras, raras e valiosas, em sua residência. Justificou este ato afirmando que gostava de apreciá-las, de tê-las junta a si. Ele as amava.

Este é o espírito do Colecionador.

Grandes Museus receberam inúmeras doações que enriqueceram seus acervos. Alguns foram criados para receber coleções completas. No Brasil, em São Paulo e no Rio de Janeiro, existem Museus formados por obras doadas por colecionadores. Um dos mais belos é o“Chácara do Céu”, em Santa Tereza/RJ, composto por obras de Debret, do colecionados Castro Maia.

Brasília abriga importantes colecionadores de Artesanato, de obras de Arte e de Antiguidades. Às vezes, a pessoa vai adquirindo obras de que gostou e se depara com a dificuldade de abrigá-las todas em sua casa. Verifica, emocionado que já tem um pequeno acervo, que é um Colecionador. Outras vezes, decide por uma expressão artística e corre atrás de Leilões e Galerias de Arte para adquirir esta ou aquela obra de determinado artista ou artesão. Há, também, aqueles frequentadores assíduos de Feiras de Antiguidades onde garimpam objetos raros. Quando menos esperam, já tem uma coleção.

Como restauradora tenho oportunidade de um contato mais próximo com estas pessoas. Sinto o amor que elas dedicam às suas peças. Chamam-nas de “minhas filhas”, “minhas meninas”, “meu tesouro”. No entanto alguns não têm o cuidado devido para a melhor conservação de suas obras. Incentivo o cuidado com o armazenamento, limpeza e muito importante, a classificação das peças, sua história. Enfim a documentação de sua coleção.

Falávamos de Colecionadores quando tivemos a triste notícia do furto de preciosas obras de arte expostas no Museu Kunsthal, em Roterdam, na Holanda.

As obras pertenciam a um dos maiores Colecionadores europeus, a família Cordia cujo acervo é administrado por uma fundação. Subtraíram as obras de Henri Matisse, Claude Monet, Paul Gauguin, Lucien Freud, Pablo Picasso e Meyer de Haan. Perda irreparável.

A esperança é que as obras sejam resgatadas, pois devido à repercussão do fato, as obras são de difícil repasse e pequeno valor no mercado. Estamos falando de um Museu novo, perfeitamente adequado e com segurança máxima e visitação de cerca de 10 mil pessoas, diariamente. É uma ousadia tremenda, com disse a diretora da instituição, Emily Ansenk que assim classificou o furto.

Vamos torcer por um final feliz.

 

Sem comentários ainda.