Regina Motta

IBERÊ CAMARGO: um trágico nos trópicos

As 120 obras em desenho, gravura e pintura que estão no CCBB- Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, com curadoria de Luiz Camilo Osório, proporcionam ao espectador momentos de introspecção e análise ao percorrer as salas das duas galerias com a arte de Iberê Camargo.


Recomendo iniciar a visita pelo subsolo da Galeria 1 onde estão os estudos, desenhos e gravuras do artista. Isto porque se pode sentir toda a pesquisa e desenvolvimento do trabalho precioso que iriam gerar as telas expostas no térreo da galeria.

 


Impressiona a elaboração dos trabalhos da série dos Carretéis, memórias de infância, com croquis, desenhos, projetos, gravuras, iniciados nos anos 1950/60 e levados até aos anos 80 quando já serão “Reminiscências”.


Do mesmo modo a série dos Ciclistas, de 1989, em uma sequencia de 12 placas de gravura em metal, desde a água forte retrabalhada pela ponta seca, buril, água-tinta de açúcar, entintada em preto e após em sépia, emociona.

 


O tema será retomado em pintura soturna e profundamente melancólica na série das enormes telas do ciclista solitário, 1989/90 expostas na galeria 2. São suas últimas criações, já às vésperas de sua morte, após longa luta contra um câncer.
Iberê Camargo nasceu em Restinga Seca,/RS, em 18 de novembro de 1914, filho de um casal de ferroviários, Adelino Camargo e Doralice Bassani Camargo. Desde criança gostava de desenhar. Aos 14 anos entrou para a escola de Artes e ofícios em Santa Maria/RS.
Em 1936 transfere-se para Porto Alegre onde trabalha como desenhista técnico e cursa Arquitetura à noite. Em 1939 casa-se com Maria Cousssirat grande incentivadora de seu trabalho.
Em 1942 recebe Bolsa de Estudos para a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde foi aluno de Alberto Veiga Guignard. Ganha o Prêmio de Viagem ao Exterior o que mudaria sua vida e sua visão artística.
Na Itália e na França, durante dois anos, Iberê trabalha com grandes mestres, aprimora a gravura, pintura e afresco sem abandonar o desenho.
Retorna ao Brasil em 1950, indo residir no Rio de Janeiro e ganha a vida dando aulas de gravura, desenho e pintura sem deixar de produzir suas obras. Participa da Bienal Internacional de São Paulo, 1951 e na edição de 1961, recebe o Prêmio de Melhor Pintor Nacional. Nesta fase sua pintura se aproxima do Abstracionismo Abstrato com cores fortes e escuras e traços negros em densas camadas de tinta. Em 1962 expõe na Bienal Internacional de Veneza. Seguem-se premiações, grandes exposições.
No início dos anos 80 retoma a figuração, patética e fantasmagórica.
Volta a Porto Alegre onde passa os últimos anos de sua vida. Dedica-se à gravura nos anos 90 e trabalha na sua última fase pictórica, explicitamente solitária e torturada dos Ciclistas e dos Idiotas.
Iberê Camargo exerceu grande influência no meio artístico brasileiro do século XX e nunca se filiou a correntes ou movimentos artísticos nacionais ou internacionais. Sua trajetória sempre foi independente. Iberê Camargo foi um dos pintores brasileiros mais importantes do Século XX.
Faleceu em Porto Alegre em 9 de agosto de 1994. No ano seguinte sua esposa Maria Coussirat Camargo inaugurou a Fundação Iberê Camargo que abriga grande parte da produção de 5000 obras entre desenhos, gravuras, pinturas guaches e documentos pessoais do artista.
Na instituição se desenvolve importante trabalho de estudo, pesquisa, conservação e divulgação da obra hoje abrigada no imponente e moderno edifício branco às margens do Rio Guaíba em Porto Alegre/RS.

REFERÊNCIAS:
-CORREIO BRAZILIENSE- Diversão e Arte – Nahima Maciel – “Mestre Iberê”
14 de novembro de 2015, pg.1;
-CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO CCBB- Um trágico tropical;
-IBERÊ CAMARGO- Coleção Grandes Pintores Brasileiros- Coleção Folha-Volume 19- Maria Izabel Branco Ribeiro;
– Fotos:Internet

 

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