Regina Motta

GUIGNARD, o anjo pintor, gravador, desenhista e decorador.


Friburgo/RJ- 1896 _ Belo Horizonte/MG-1962

Alberto Veiga Guignard nasceu em Nova Friburgo/RJ em 25 de fevereiro de 1896. Filho de Alberto José Guignard e Leonor Veiga Guignard, teve uma irmã, também chamada Leonor. A família abastada era de origem francesa vinda para o Brasil com a família imperial.


Seu pai faleceu jovem vítima de um tiro acidental de sua arma de caça, em 1906. O menino, muito apegado ao pai, sofreu imensamente.


Sua mãe casou-se um ano depois com o barão Frederico Von Schilgen que o menino chamava de “barão de tal e tal”. A família seguiu, em seguida, para Europa. Aos 11 anos, Guignard teve dificuldade de aceitar o novo casamento de sua mãe.

Acompanhando a família, Guignard frequentou diversos Liceus na Suíça, França e Alemanha. Aos 20 anos, morando em Munique, na Alemanha, decidiu estudar desenho e pintura com renomados professores, nos moldes acadêmicos.

Em 1923 casou-se com Anna Döring. Pouco se sabe dessa união além do nascimento de um filho falecido com um ano de idade. Logo após Anna o abandonou e veio a falecer, provavelmente de tuberculose, aos 32 anos.

Em 1924 fez rápida viagem ao Brasil retornando logo à Europa com destino a Florença, onde se descobriu como pintor.


Guignard nasceu com defeito físico congênito, o lábio leporino com fenda total entre a boca, palato e nariz. Até aos 3 anos de idade era uma criança desnutrida, frágil e doentia devido à dificuldade de alimentação. Aos 5 anos foi operado com resultado pouco satisfatório. Na adolescência submeteu-se a novas tentativas de correção com a colocação de próteses às quais nunca se adaptou. Por toda a vida viu-se marcado pelo que ele chamava de mutilação. Sua voz nasalada e rouca prejudicava a comunicação com seus alunos, o que ele tentava superar com mímica e gestos cômicos que lhe valeram o apelido de Guignard guignol. Algumas vezes seu complexo superava a sua arte. Era alto, corpulento, o que contrastava com sua natureza sensível, quase ingênua.


Bom, meigo, amigo dedicado jamais fez mal a alguém ”nasceu anjo e é anjo até hoje” , disse Augusto Rodrigues.

Guignard, o homem e o artista estão de tal forma juntos, ambos sempre à margem.

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